Flávio Bolsonaro “parabeniza” Lula: “Você conseguiu ferrar o Brasil”

Senador afirmou que o “antipatriotismo” do presidente não tem limites. Segundo Flávio, política internacional de Lula é um “vexame”

atualizado

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Vinícius Schmidt/Metrópoles
Flavio bolsonaro durante CPMI dos atos anti democráticos no 8 de janeiro
1 de 1 Flavio bolsonaro durante CPMI dos atos anti democráticos no 8 de janeiro - Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles

Em publicação no X na noite dessa quarta-feira (9/7), o senador Flávio Bolsonaro (PL) ironizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao “parabenizá-lo” pelo anúncio da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros nos Estados Unidos, feito pelo presidente norte-americano Donald Trump. Segundo Flávio, o petista “conseguiu ferrar o Brasil”.

No texto, o senador chama a política internacional do Brasil de “vexame” e afirma que a tarifação é resultado de “provocações à maior economia do mundo”.

“Você está com raiva dos brasileiros? Seu anti-patriotismo (sic) não tem limites. Depois de tantas ações provocando a maior democracia do mundo, tá aí o resultado do vexame da sua política internacional ideologizada”, diz Flávio. Veja a íntegra:

Ainda de acordo com o senador, a política dos Estados Unidos adotada contra o Brasil de taxar os produtos do país é a mesma feita pelo governo Lula. “Seu governo é baseado em aumentos insaciáveis de impostos, esfolando os trabalhadores, e agora o Brasil é taxado em 50% nas exportações aos Estados Unidos. É a mesma coisa que você tem feito com os brasileiros, que não aguentam mais pagar tantos impostos”.


Trump, tarifas, Brasil e Bolsonaro

  • Trump tem ameaçado o mundo com um tarifaço e dá atenção especial ao grupo do Brics e ao Brasil.
  • O presidente norte-americano já ameaçou aplicar taxas de 100% aos países-membros do bloco que não se curvassem aos “interesses comerciais dos EUA”.
  • Após sair em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, Trump ameaçou aumentar as tarifas sobre exportações brasileiras. De acordo com o líder norte-americano, o Brasil não está “sendo bom” para os EUA.
  • Lula informou que a resposta brasileira à taxação será por meio da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica.
  • Ao anunciar tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, Trump indicou que pode rever a medida se o Brasil abrir seu mercado e remover barreiras comerciais.
  • Nova tarifa deve entrar em vigor no dia 1º de agosto

Bolsonarismo isolado

Apesar da tentativa de grupos bolsonaristas em responsabilizar Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF) na pessoa do ministro Alexandre de Moraes, pela nova tarifação, setores da economia, alguns mais ligados à direita, como o agronegócio na figura da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), demonstraram “preocupação”, defenderam “resposta firme” do Brasil e pediram “cautela” para o diálogo.

“A nova alíquota produz reflexos diretos e atingem o agronegócio nacional, com impactos no câmbio, no consequente aumento do custo de insumos importados e na competitividade das exportações brasileiras”, expôs o pronunciamento da FPA.

Em outra reação diferente à do bolsonarismo, o presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), Joaquim Passarinho (PL-PA), do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), disse ao Metrópoles ver “com tristeza” o anúncio da taxação e chamou a decisão de Trump de “exagero”.

“Vejo com tristeza, para a economia brasileira, nós, como um grande parceiro americano, dos Estados Unidos, acho que o presidente [Trump] exagera muitas vezes nesse tipo de colocação, até porque isso não faz mal só para a comida do Brasil, faz mal para a economia americana também”, declarou.

“Sem justificativa”

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a imposição de 50% de tarifas sobre o produto brasileiro por parte dos Estados Unidos foi recebida com preocupação e surpresa. Em nota compartilhada nessa quarta, a instituição disse que não há fato econômico que justifique as taxas anunciadas por Trump.

Para a instituição, a prioridade deve ser intensificar a negociação com o governo de Donald Trump a fim de preservar a relação comercial histórica e complementar entre os países. Os EUA são, segundo a Confederação, o terceiro principal parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.

A Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) também citou “profunda preocupação” e declarou que a medida tem “potencial para causar impactos severos sobre empregos, produção, investimentos e cadeias produtivas integradas entre os dois países”.

A entidade que promove laços empresariais entre os dois países conclamou que os governos retornem “com urgência” para “um diálogo construtivo”.

Eduardo Bolsonaro fala em “tarifa-Moraes”

O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está morando nos Estados Unidos, disse que nada disso ocorreria sob a presidência do pai e que a taxação é resultado dos “abusos” de Moraes.

Na nota divulgada, o parlamentar admite que participou de articulações que envolviam “respostas” ao Brasil.

“Nos últimos meses, temos mantido intenso diálogo com autoridades do governo do presidente Trump – sempre com o objetivo de apresentar, com precisão e documentos, a realidade que o Brasil vive hoje. A carta do presidente dos Estados Unidos apenas confirma o sucesso na transmissão daquilo que viemos apresentando com seriedade e responsabilidade”, diz Eduardo Bolsonaro em nota.

Eduardo também declarou que o presidente dos EUA entendeu que Alexandre de Moraes só pode agir com o respaldo de um “establishment político, empresarial e institucional que compactua com sua escalada autoritária”.

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