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(M)dadosBrasil

Filmes lançados em 2001 ainda não tiveram as contas analisadas pela Ancine

Xuxa e os Duendes e Abril Despedaçado ainda esperam a aprovação da agência reguladora

25/07/2020 05:27, atualizado 25/07/2020 08:29
iStock
Filmes lançados em 2001 ainda não tiveram as contas analisadas pela Ancine

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) tem um atraso de 4,2 mil prestações de contas de filmes para analisar. As obras receberam recursos públicos e, por isso, precisam especificar como o dinheiro foi usado. A Ancine deveria dizer se tudo correu conforme o combinado ou não. Há filmes de 2001 que ainda esperam o parecer da autarquia. Ao todo, são R$ 3,9 bilhões que não se sabe se foram bem aplicados.

Os dados da Ancine foram analisados pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, e cruzados com a lista de obras não publicitárias brasileiras, também da agência reguladora, para determinar o ano de produção.

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Do total de 4,2 mil prestações, foi possível determinar o ano de produção de 1.070 delas. Entre as mais antigas, há seis de 2001: o documentário Rocha que Voa e os filmes de ficção Xuxa e os Duendes, Abril Despedaçado, Madame Satã, Desmundo, e Conexão Brasil. O gráfico a seguir mostra as prestações pendentes de análise por ano.

A lista de análises em atrasos tem obras de 1.304 produtoras. A que mais tem prestações de contas a serem analisadas é a Gullane Entretenimento, com 64. Juntas, elas somam R$ 103,6 milhões. Em seguida vem a O2, com R$ 79,5 milhões em 60 obras, e a Conspiração, com R$ 103,6 milhões em 47 peças. A listagem a seguir traz todos os nomes.

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“Se por um lado os números dão conta da extensão do problema, de outro existe um compromisso institucional para a sua resolução. É o enfrentamento de um problema histórico e sistêmico, e estamos fazendo de forma pública e transparente”, explicou, em nota,  o diretor da Ancine, Alex Braga.

O prazo da agência para terminar a análise do passivo é de quatro anos. Assim, será necessário analisar pouco mais de mil filmes atrasados por ano além dos novos projetos que forem entrando. O ritmo, entretanto, ainda está longe disso. “Desde que começou a atuar, a nova unidade dedicada às análises de prestação de contas realizou 168 deliberações, cerca de 60% a mais que nos anos de 2018 (78) e 2019 (23).”, apontou a autarquia.

A lista engloba projetos de fomento direto e indireto. Conforme apontado em relatório de fiscalização do TCU, os projetos financiados com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) não haviam sido fiscalizados desde a criação do Fundo, em 2008. Neste ano de 2020, houve a primeira análise da prestação de contas de um projeto financiado pelo FSA”, acrescentou a nota da agência.