Filipe Martins nega versão de Cid e diz que nunca viu minuta do golpe
Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, chama de “minuta fantasma” documento que delator Mauro Cid diz que ele fez
atualizado
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Filipe Martins, ex-assessor do então presidente Jair Bolsonaro (PL) para assuntos internacionais, negou nesta quinta-feira (24/7), em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), a veracidade de declarações do tenente-coronel Mauro Cid em delação premiada.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro delatou que Martins teria redigido o documento que ficou conhecido como “minuta do golpe” e que previa, supostamente, a prisão de autoridades e a anulação da eleição de 2022, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Não só não tive contato com essa minuta antes, como não tive durante o processo. Por isso, minha defesa tem insistido em chamar essa minuta de minuta fantasma”, disse Filipe Martins, em depoimento por videoconferência ao juiz Rafael Henrique Tamai, que auxilia o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que apura uma suposta trama golpista liderada por Bolsonaro em 2022.
Martins é um dos réus do grupo 4 da suposta trama golpista.
O que disse Mauro Cid?
O tenente-coronel Mauro Cid reafirmou sua versão sobre a “minuta do golpe” no último dia 14 de julho, também falando ao STF, e disse que o ex-presidente teria lido e feito alterações no texto.
Ao falar da minuta, Cid garantiu ainda que Filipe Martins estava presente na discussão e que seria um dos autores do documento, junto a um jurista que ele não lembra o nome. “Esse documento basicamente era composto de duas partes. A primeira parte é nos considerandos, já foi discutida à beça sobre isso aí, e uma segunda parte é um artigo de ações e determinações que deveriam ser tomadas”, disse Cid.
O ex-ajudante de ordens também reafirmou, confirmando depoimentos anteriores, que uma primeira versão do documento previa a prisão de autoridades várias, como o então presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, mas que a versão editada por Bolsonaro teria ficado mais enxuta e prevendo apenas a prisão de Moraes, então presidente do TSE.
