Fibra: "A Nova Indústria Brasil cabe dentro da perspectiva regional"
Representante da Federação das Indústrias do DF enalteceu a política, após mais de 20 anos sem uma iniciativa do tipo no Brasil

Para dar uma perspectiva mais regional ao Metrópoles Talks “Brasil Industrializado – Inovação, Produtividade e Competitividade para a Nova Indústria”, desta quinta-feira (2/7), Diones Cerqueira, assessor econômico do Sistema Fibra (Federação das Indústrias do Distrito Federal) deu sua opinião sobre a Nova Indústria Brasil (NIB).
O evento que acontece no Ulysses Centro de Convenções, em Brasília (DF), busca apontar caminhos para uma indústria mais forte e preparada para os desafios globais, em uma iniciativa do Metrópoles, em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).
Para ele, a NIB é uma política estruturante muito bem pensada e que foi criada depois de mais de 20 anos sem nenhuma iniciativa dessa magnitude voltada para a indústria no Brasil. Mas o especialista aponta que ela carece de mecanismos que alcancem com maior amplitude o empresário local.
“Olhando para o Brasil, eu diria que cabe uma percepção um pouco maior nessa política sobre a perspectiva regional, apesar de ser nacional. Ela teve pouca divulgação e estímulo no âmbito regional. Quando a gente olha para o Distrito Federal, a Federação das Indústrias fez um trabalho em cima das mais de 180 ações previstas, e nós identificamos apenas quatro para cá, apesar de serem extremamente importantes, são: a biotecnologia, a política nacional de comércio exterior, capacitação de pessoas, e uma outra voltada para a melhoria do ambiente de negócios”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Então é uma política que cabe dentro da perspectiva regional, o que nós precisamos criar agora é uma ponte para levar isso para o empresário. Olhando aqui para o DF, a impressão que a gente tem é que ele olha para essa política e fala assim: ‘Eu não consigo acessar, porque ela é muito grande’”, pontuou o assessor.
Segundo Cerqueira, a Federação das Indústrias tem feito esse papel de levar até a porta da empresa as ações do programa e tem funcionado muito bem. “O desafio é trabalhar nessa linha, de buscar levar essa política ao alcance da empresa, porque o empresário, depois de 20 anos, não sabe se aquilo vai acontecer”, finalizou.

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O déficit de mão-de-obra foi uma das questões levantadas no debate e Diones afirmou que foram realizadas pesquisas na Federação das Indústrias, usando metodologia da CNI, e o resultado foi que elas ainda continuam destacando a mão-de-obra como um grande entrave aos empresários.
“Você tem uma demanda, busca no mercado e não consegue encontrar o profissional adequado àquela vaga. A gente entende que o ciclo do processo de inovação está cada vez menor. Antes tínhamos tempo, o processo demorava uns 50 anos, e conseguíamos formar um profissional ao longo dessa trajetória. Os últimos dados mostram que a média agora é entre cinco e dois anos. Então é um ciclo muito pequeno para se formar um profissional adequado a essa tecnologia”, afirmou.
O especialista ainda usou como exemplo o uso da inteligência artificial inserido nesse tema. “Antes, com a tecnologia de 10 anos atrás, desenvolvia-se um sistema ou se trazia uma máquina nova em que a pessoa executava alguma ação nela. Hoje, a inovação exige que você interaja com ela. Então é muito mais do que formação, você precisa de consciência”, definiu.



