Família luta para sepultar idoso exumado após troca de corpos em Goiás

IML informou ao Metrópoles que ainda não há previsão para liberar corpo de vítima de Covid-19, que morreu há um mês, em Goiânia

atualizado 18/05/2021 8:45

Arquivo pessoal

Goiânia – Um mês depois de ser sepultado por engano por outra família e 10 dias após ser exumado, o corpo de um idoso de 89 anos morto por complicações da Covid-19 ainda aguardava, nesta segunda-feira (17/5), liberação do Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia para ser enterrado, novamente. Familiares reclamam da demora de exame para confirmação de identidade do cadáver.

Enquanto isso, o corpo do outro idoso está bloqueado no Hospital Gastro Salustiano, na capital, onde os dois morreram, no dia 27 de abril, até a finalização de exames cadavéricos que identifiquem as vítimas.

“É muita aflição, estou passando noites com insônia e pedindo a Deus que isso se resolva logo”, desabafa a aposentada Herma Moreira dos Reis, de 84 anos. Ela é viúva de Aniceto Francisco dos Reis, exumado, no dia 6 de maio, em cemitério de Goiânia, onde havia sido enterrado no lugar de Jesus Faustino Teles, de 63.

exumação do corpo de Aniceto foi determinada pela juíza Nathália Bueno Arantes da Costa, da 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal e de Registros Públicos de Goiânia. Os dois cadáveres foram trocados por causa de um erro no momento de liberação dos corpos no hospital.

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Sem previsão

Em entrevista ao Metrópoles, o perito criminal e superintendente de Comunicação da Polícia Técnica-Científica de Goiás, Ricardo Matos, disse que ainda não há previsão para liberação do corpo de Aniceto porque o idoso “não tem material para confronto odontológico”.

Por isso, de acordo com o superintendente, “os papiloscopistas estão tratando a digital pra ver se dá confronto”, ou seja, para verificar a possibilidade de confirmação do corpo. Caso não seja possível, a equipe deverá fazer identificação por meio de exame de DNA.

Filho de Aniceto, Adriano Francisco dos Reis, de 54, reforçou que a mãe dele está sofrendo muito, assim como toda a família. “O IML sabia que [meu pai] não tinha material odontológico desde o dia anterior à exumação”, diz ele. “A gente não compreende porque o IML não tomou a posição de já começar a colher material de DNA”, reclama.

As famílias das vítimas dizem que vão ingressar com ação na Justiça contra o hospital e a Funerária Fênix por danos morais e materiais.

Remoção

O corpo de Aniceto foi removido pela Fênix, apontada como envolvida no erro por ter realizado o sepultamento dele, e encaminhado à Funerária do Parque Memorial de Goiânia, contratada pela família do idoso. A Fênix deverá sepultar o corpo do paciente Jesus, assim que também houver liberação.

O diretor do hospital, o médico Salustiano Gabriel Neto, admitiu “falha geral”, conforme mostrou o portal. Ele disse que vai cumprir o que for determinado pela Justiça. “O que for determinado a gente vai ter que cumprir, mas tem que se levar em conta que foram falhas humanas”, ponderou.

Gerente da funerária, Adilson Pessoa afirmou ao portal que a empresa não tem culpa pela troca dos corpos. “No necrotério do hospital, entraram primeiro a enfermeira e uma parente de Jesus para fazer a retirada do corpo dele. Em seguida, ela e a parente saíram do local onde ficam os corpos. Depois, a enfermeira levou o funcionário e entregou o corpo errado para ele”, acentuou.

Decreto do município de Goiânia estabelece prazo de três anos para exumação e remoção de cadáveres na cidade, salvo decisão ou sentença judicial que determine o contrário.

O IML só vai autorizar a liberação deles após a Polícia Técnico-Científica confirmar a identificação de cada um, seguindo um procedimento rigoroso para evitar que qualquer erro seja cometido, novamente.

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