Fã da PM é preso por porte ilegal de arma e se revolta contra polícia em Goiás

Influenciador digital foi flagrado em posto de combustível após discutir com policial civil que não estava identificado

atualizado 30/09/2021 14:24

Divulgação

Goiás – Bolsonarista e administrador de perfis nas redes sociais que ovacionam as ações da Polícia Militar de Goiás com milhares de seguidores, um influenciador digital foi preso, nesta quinta-feira (30/9), por porte ilegal de arma de fogo, na capital. Na delegacia, o fã da PM se revoltou contra a Polícia Civil ao saber que seria liberado apenas depois de pagar fiança de R$ 1,1 mil.

Com quase 500 mil seguidores no Facebook e Instagram em perfis com o nome “Raio Imortal”, Michael Alves da Silva, de 42 anos, é um admirador da PM e adepto do discurso de que “bandido bom é bandido morto”, conforme dizem pessoas próximas. Ao ser preso, ele estava com uma pistola Glock de 9 milímetros e dezoito munições, em uma loja de conveniência em posto de combustível.

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O flagrante ocorreu depois de Michael se irritar com um policial civil, que não estava identificado no momento e o alertou dizendo que a arma do influenciador digital estava aparecendo no bolso dele, ficando exposta para outras pessoas verem.

Em seguida, de acordo com a investigação, Michael revidou, perguntando quem ele era. Disse, ainda, que o policial “não era ninguém” e lhe mandou ficar quieto, sem saber a profissão dele.

Depois, segundo os autos, o policial pesquisou a placa do veículo de Michael e verificou que estava em nome de uma mulher. Logo em seguida, foi ao banheiro e, ao perceber que estava sendo seguido pelo influenciador, apresentou sua carteira funcional e se identificou como policial civil.

Segundo testemunhas, Michael, por sua vez, ainda bastante irritado, fez menção de colocar a mão na cintura, sugerindo que poderia pegar a arma que estava em seu bolso, mas o policial, imediatamente, o mandou levantar as mãos e ajoelhar. Apesar de ter resistido a se identificar logo após o flagrante, Michael se apresentou como caçador, atirador e colecionador.

Momentos depois, o policial ordenou que Michael saísse do banheiro com ele, e outra pessoa fechou a porta do local para evitar que curiosos entrassem. Em seguida, o policial civil teria sido xingado de “bosta” pelo influenciador ao chamar a Polícia Militar, para levá-lo à delegacia.

Em seu interrogatório, Michael contou que saiu de sua clínica veterinária e foi para um clube de tiro. Afirmou, ainda, que, na volta, parou no posto de combustível. Ele não citou qualquer parte do episódio antes de ir ao banheiro, segundo os autos. Disse que foi abordado por um “desconhecido”, que lhe apontou a arma e o mandou ajoelhar, e explicou que teve medo de morrer.

Na delegacia, Michael reclamou da polícia. “Essa é a polícia de Goiás”, gritou, segundo testemunhas, que o ironizaram por ele ser conhecido como uma das figuras que mais exaltam a corporação do estado. “Vou ter que rever meus conceitos referentes à Polícia Civil do Estado de Goiás”, escreveu ele, em um post.

O influenciador só foi liberado para responder a processo em liberdade, depois de pagar fiança de R$ 1,1 mil, conforme valor arbitrado pela delegada Maisa Fernanda Freitas Parpinelli Paleari.

O Metrópoles não localizou contato de Michael ou da defesa dele para se manifestarem.

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