Justiça manda prender oficial da PM que espancou advogado em Goiás

Decisão atende a pedido do MPGO, após denúncia sobre crime praticado contra Orcélio Ferreira Silvério Júnior, no dia 21 de julho, em Goiânia

atualizado 22/09/2021 14:34

goias advogado agredido por pmArquivo pessoal/Orcélio Jr.

Goiânia – A Justiça de Goiás determinou a prisão preventiva de um tenente e o afastamento de outros quatro policiais militares flagrados em vídeo enquanto espancavam, com socos, tapas e pontapés, um advogado que teve as mãos algemadas para trás e foi arrastado no chão, em Goiânia. A decisão também determinou o recolhimento das armas dos que não foram presos.

Na decisão, proferida na segunda-feira (20/9), a juíza Bianca Melo Cintra considerou denúncia do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) em razão do crime praticado pelos militares contra o advogado Orcélio Ferreira Silvério Júnior, no dia 21 de julho, na capital. Segundo a decisão, ele foi agredido depois de questionar e filmar uma abordagem policial realizada com agressão contra outra pessoa.

O tenente aparece nas imagens dando tapas e socos no advogado. Segunda a juíza, neste momento, a ordem de prisão considerou “a gravidade concreta do crime, os graves riscos à segurança da aplicação da lei e ameaça às normas e aos princípios de hierarquia e disciplina militares”.

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A juíza também considerou respostas do tenente, em oitiva extrajudicial, na qual ele confirmou “que a prática daquele tipo de conduta é sua forma reagir às provocações feitas contra sua pessoa”. Por isso, segundo a decisão, em tese, a investigação comprovou que “a abordagem policial inicial se deu em razão de questões pessoais enfrentadas pelo acusado anteriormente, e não pelo fato de ‘flanelinhas’ estarem fazendo cobrança irregular na região”.

Afastamento das ruas

A decisão também mandou afastar dos trabalhos nas ruas outros policiais que apareceram nas imagens, durante a ação contra o advogado. Eles são os soldados Ildefonso Malvino Filho, Diogenys Debran Siqueira Silva e Wisley Liberal Campos, além do cabo Robert Wagner Gonçalves de Menezes o soldado Idelfonso Malvino Filho.

Tudo começou depois que os policiais agrediram o homem em situação de rua, que também é flanelinha na galeria situada em frente ao terminal de ônibus. O rapaz foi puxado de dentro da galeria para a calçada, onde foi agredido. Informações iniciais dão conta de que ele já seria desafeto de um dos policiais e estava sendo ameaçado pelos agentes.

Em outro vídeo, a vítima reclamou que também sofreu agressão no pátio da delegacia da Polícia Civil e na triagem. Além disso, afirmou ter pedido ajuda a uma agente que, segundo o advogado, agiu com negligência. “Teve uma policial que não quis se identificar, que foi negligente e omissiva, no momento em que pedi socorro e estava sendo torturado.”

A Corregedoria da Polícia Militar não informou quais medidas já foram tomadas em relação aos policiais. O Metrópoles não conseguiu ouvir a defesa deles até o momento em que publicou esta reportagem.

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