Ex-ministros do STF pedem a Fachin "apuração rigorosa" de crise na Corte
Ex-integrantes do Supremo pedem que caso seja levado ao plenário. Ao todo, 13 ex-ministros assinam carta ao presidente Edson Fachin

Um grupo de 13 ministros aposentados do Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou uma carta, nessa segunda-feira (7/9), na qual pedem ao presidente da Corte, Edson Fachin, que haja uma “apuração rigorosa” da crise envolvendo integrantes do colegiado.
Os ministros aposentados qualificam a crise como a “mais aguda” da história do STF. Ao mesmo tempo, eles afirmam ter “absoluta convicção” de que Fachin vai levar o caso ao plenário. O documento diz o seguinte:
“Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de V. Exª na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que V. Exª designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até a estabilidade das instituições democráticas.”
Entre os 13 ex-ministros que assinam o documento, estão: Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber.
Entenda a crise no STF
A crise no STF foi deflagrada após a retirada do sigilo de parte das investigações da Polícia Federal (PF) sobre o caso Master, na qual o ministro Alexandre de Moraes aparece trocando mensagens com Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm uma das mensagens, três dias antes de ser preso pela primeira vez, em novembro de 2025, Vorcaro disse a Moraes que tinha a “gratidão” de uma vida ao ministro.
“Estamos juntos sempre. Você sabe que tenho gratidão da minha vida a você. Toda a minha família, funcionários, parceiros e amigos que dependem de nós têm uma dívida de vida contigo e com sua família. Muito obrigado por tudo”, escreveu Vorcaro.
A retirada do sigilo foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo. Como retaliação, Moraes incluiu no Inquérito das Fake News um pedido a Fachin para que fosse instauarada uma investigação contra o colega.
Aos olhos de Moraes, Mendonça teria cometido abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade. A troca de acusações entre os dois ministros acirrou a crise na Corte.
Dias depois, veio à tona a informação de que Mendonça teve ao menos um encontro com Vorcaro. Ele confirmou, na última quarta-feira (2/9), que os dois estiveram juntos em uma reunião de aproximadamente duas horas no dia 14 de março de 2025, em São Paulo.



