Estudante de medicina é indiciado por golpe de validação de diplomas

Polícia Civil de Goiás continua investigação contra goiano que estuda na Bahia e conheceu vítimas no Paraguai; suspeito recebeu R$ 200 mil

atualizado 16/03/2021 19:56

Reprodução

Goiânia – Um estudante de medicina foi indiciado, nesta terça-feira (16/3), por estelionato e falsificação de documento público, depois de ele receber mais de R$ 200 mil em depósito em sua conta corrente, com promessa de agilizar revalidação de diplomas de mestrado no exterior. Ao menos 15 servidores de Caldas Novas, a 160 quilômetros de Goiânia, foram vítimas do golpe.

Mais pessoas têm procurado a Polícia Civil de Goiás (PCGO) para fazer denúncias contra o estudante. De acordo com as investigações, que duraram um ano, o suspeito é goiano e cursa medicina na Bahia. Os nomes dele e da instituição de ensino não foram divulgados.

Diversas provas foram juntadas ao inquérito, que tem 600 páginas. Servidores das áreas de saúde e de educação apresentaram à polícia comprovantes de depósito bancário para confirmarem o pagamento ao suspeito. Também entregaram centenas de imagens de conversas no Whatsapp.

Veja explicação do delegado em vídeo abaixo:

Promoção e gratificação

O delegado Rogério Moreira da Silva, titular da delegacia de Caldas Novas, disse que o estudante admitiu a autoria do crime, durante depoimento, acompanhado pelo seu advogado. Segundo o inquérito, em 2019, o suspeito conheceu as vítimas no Paraguai, para onde elas foram cursar pós-graduação.

“As vítimas queriam convalidar o diploma para conseguirem promoção e gratificação na área da saúde e educação”, afirmou o delegado, ressaltando que, em média, o estudante cobrava até R$ 15 mil de cada interessado.

No entanto, após receberem os novos certificados, as vítimas suspeitaram e reclamaram de suposta falsificação do documento. Para tentar enganá-las, mais uma vez, segundo a polícia, ele prometeu entrar em contato com universidades públicas que teriam revalidado o mestrado.

“O autor, visando encobrir seus rastros, após ser instado pelas vítimas, falsificou e-mails das universidades nos quais elas, em resposta, validavam os certificados emitido”, explicou Silva.

Segundo o delegado, o endereço de e-mail institucional é idêntico ao das instituições, mas, acrescentou, o suspeito pode ter fraudado ou contado com ajuda de outra pessoa que tivesse acesso à conta de mensagens.

“A Polícia Civil iniciou investigação que culminou na comprovação da fraude, haja vista a negativa das universidades sobre a emissão dos documentos, sendo que sequer possuem autorização para emitir o documento”, afirmou Silva.

Fraude comprovada

O esquema fraudulento foi desvendado após a polícia receber respostas em ofícios de instituições de ensino apontadas pelo suspeito como responsáveis pela revalidação. Elas informaram que os certificados e e-mails que os referendavam não eram autênticos.

Ao saber que era alvo de investigação, o estudante compareceu espontaneamente à delegacia de polícia. “Ele confessou ter recebido valores a título de pagamento para providenciar o convalida dos mestrados das vítimas e que as conheceu no exterior e também através de indicações”, afirmou o delegado.

Em depoimento, o suspeito alegou, ainda, a existência de outro indivíduo que reside em São Paulo para confeccionar os certificados e com quem dividia parte dos lucros. “O terceiro seria quem enviava os certificados fraudulentos”, disse Silva.

Com as informações colhidas no inquérito até o momento, a Polícia Civil indiciou o suspeito e remeteu o inquérito ao Poder Judiciário. Se condenado pelos crimes, a pena poderá superar os 5 anos de prisão. Outras vítimas continuam denunciando o estudante.

Revalidação no Brasil

No Brasil, a revalidação de diplomas de graduação é realizada sempre por universidades públicas. Já o reconhecimento de diplomas de mestrado ou doutorado stricto sensu pode ser feito pelas universidades públicas e particulares.

No entanto, segundo o Ministério da Educação (MEC), os diplomas de mestrado e doutorado expedidos por universidades estrangeiras só poderão ser reconhecidos por universidades que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior.

Normalmente, a lista de documentos solicitados é a mesma pra todas as universidades. Eventualmente, alguma instituição pode pedir um ou outro documento a mais, mas é raro.

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