“Está nítido o excesso”, diz Caiado sobre agressões de PMs a advogado

Um dia após espancamento de advogado nas ruas de Goiânia, governador de GO diz que excessos não serão admitidos e reconhece a falha da ação

atualizado 22/07/2021 13:28

Ronaldo Caiado (DEM), governador de Goiás, homenageia forças policiais que participaram das buscas ao criminoso Lázaro BarbosaVinícius Schmidt/Metrópoles

Goiânia – O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), falou nesta quinta-feira (22/7) sobre o espancamento praticado por policiais militares contra o advogado Orcélio Ferreira Silvério Júnior, de 32 anos. O caso aconteceu à luz do dia, na tarde de quarta-feira (21/7), na capital goiana, e foi filmado por testemunhas. O advogado teria intercedido a favor de um morador de rua abordado pelos policiais próximo a um camelódromo. Para Caiado, está nítido que houve excesso na ação policial.

“Esses excessos não serão admitidos de maneira alguma – nem pelo governador, nem pelo comando da PM, nem pelo secretário de Segurança Pública. Não tenho dúvida, (o excesso) está nítido ali, tanto é que o nosso comandante da PM já tomou atitudes”, afirma o governador.

O incidente ocorreu nas imediações do movimentado Terminal Praça da Bíblia, estação de ônibus na região leste de Goiânia. O advogado tentou intervir na abordagem violenta feita contra um rapaz que trabalha como flanelinha na localidade.

Em seguida, o próprio advogado foi alvo das agressões feitas por policiais do Grupamento de Intervenção Rápida Ostensiva (Giro) – braço do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Goiás (PMGO). A ação revoltou as pessoas que estavam no local. Vários transeuntes gravaram vídeos para registrar o fato.

Nas imagens, é possível ver que o advogado foi segurado pelos demais policiais no chão, enquanto um deles desferia golpes. A vítima levou tapas no rosto e foi arrastada pelo chão. Populares gritaram e tentaram impedir a agressão, mas sem sucesso. Também aparece no vídeo o pai do advogado – um senhor de camiseta branca, desesperado com a situação.

Veja:

“Fui torturado”

O advogado foi até a delegacia, onde permaneceu até a madrugada desta quinta-feira (22/7), para registrar a ocorrência. Ele publicou vídeo no qual afirma que as agressões sofridas não se limitaram ao que ocorreu na rua. Conforme relatos divulgados, ele voltou a ser agredido no pátio da delegacia e também na triagem. Uma policial civil, segundo a vítima, teria visto e não fez nada.

“Teve uma policial que não quis se identificar, que foi negligente e omissiva, no momento em que pedi socorro e estava sendo torturado”, afirma o advogado, no vídeo.

Veja:

Em nota emitida nesta quinta-feira, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSPGO) informou que um procedimento foi instaurado na Corregedoria da Polícia Civil para apurar o caso.

“A SSP-GO não coaduna com qualquer ação perpetrada por agentes que integram as forças policiais do Estado que não seja pautada pela aplicação do procedimento operacional padrão”, diz, ainda, o texto da nota.

Procedimentos

Ao falar sobre o caso, o governador Ronaldo Caiado destacou a existência de protocolos que fundamentam a ação policial e que estipulam limites. Por isso, segundo ele, o excesso diante dessas condutas não será aceito.

A PMGO afastou das ruas o policial que aparece nas imagens agredindo o advogado e também instaurou procedimento administrativo.

O Ministério Público de Goiás (MPGO), que possui um grupo de controle externo das ações policiais, informou que um procedimento investigatório foi aberto para apurar as circunstâncias do ocorrido.

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