Espancamento de advogado por PM revolta família: “Todos abalados”

Orcélio Júnior foi alvo de violência policial ao tentar interceder por uma pessoa em situação de rua; presidente da OAB repudiou o caso

atualizado 22/07/2021 11:35

goias advogado agredido em abordagem policialReprodução

Goiânia – Agredido por policiais do Grupamento de Intervenção Rápida Ostensiva (Giro) da Polícia Militar de Goiás (PM-GO), após interceder por uma pessoa em situação de rua próximo a um camelódromo na capital goiana, o advogado Orcélio Ferreira Silvério Júnior, de 32 anos, só conseguiu voltar para casa à 1h da madrugada desta quinta-feira (22/7). Ele foi espancado e arrastado pelo chão mesmo com as mãos algemadas às costas.

O espancamento revoltou familiares e amigos do profissional e repercutiu nas redes sociais, em especial entre advogados, mobilizando manifestações de todo o Brasil. O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, repudiou a atitude policial. Conhecido por sua compaixão e indignado com injustiça, Orcélio passou a noite na delegacia acompanhando o depoimento de todos os envolvidos.

Veja vídeo:

Um turbilhão de revolta tomou a cabeça do advogado enquanto ele, mesmo algemado com as mãos para trás, era alvo de tapas e socos de policiais na quarta-feira (21/7), após interceder por um homem em situação de rua, que também foi agredido. O advogado foi arrastado pelo chão, como mostram vídeos publicados pelo Metrópoles.

“Ele sempre trabalha em prol da lei. Quem o conhece sabe e vê a educação que ele tem com todos”, disse a noiva dele, a designer gráfica Fernanda Trevisan, em entrevista ao portal. “Chegamos em casa à 1 hora da madrugada, após sair da delegacia”, afirmou ela, a quem o advogado dedica inúmeras declarações de amor em suas redes sociais.

Assim como muitos advogados no Brasil, Orcélio, que é advogado tributarista e de Direito de Trânsito, é daqueles que veem na profissão um caminho para perseguir a busca por justiça, incansavelmente, segundo familiares. Jamais pensou, porém, que seria alvo da truculência e do abuso de autoridade praticado por militares, como ocorre diariamente no país.

Ao saber do caso, a família toda perdeu o chão. Entrou em desespero. Indignou-se. Foi tomada por um sentimento que, a partir de agora, será usado como uma mais força para cobrar providências das autoridades e punição dos culpados.

Família abalada

A noiva do advogado confirmou que os familiares deles estão “todos abalados com essa situação”. Ela disse que ele também sofreu outras agressões no pátio da delegacia, antes de se submeter a exame de corpo de delito.

A indignação, porém, ultrapassou o ciclo de entes queridos e avançou para as redes sociais, nas quais centenas de advogados manifestaram repúdio aos policiais e solidariedade ao jurista.

“A Ordem sangra quando acontecem casos como o noticiado hoje. Meu apoio ao colega. Conte conosco na busca pela justiça”, comentou a advogada Mari Castro, em uma das publicações da vítima nas redes sociais.

O advogado Carlos Rocha também registrou seu repúdio. “Muito indignado! a OAB precisa reagir à altura! Estamos com vc!”, escreveu ele.

“Eu sinto muitíssimo pelo ocorrido, Dr. É repudiante e assustador a atrocidade cometida em seu desfavor. Uma covardia sem tamanho! Minhas orações são para que você e sua família fique bem e para que a OAB/GO tome as devidas providências. Abraços!”, disse a advogada Mykarla Francyelli.

O próprio presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, se manifestou, via Twitter, na manhã desta quinta (22/7), contra as agressões:

Afastamento

Em nota, a PM-GO informou ter afastado das atividades operacionais o policial que aparece nas imagens desferindo golpes contra o advogado. Disse, ainda, ter instaurado procedimento administrativo disciplinar para apurar os fatos, assim que tomou conhecimento das imagens publicadas, mas não se manifestou sobre as providências em relação aos demais quatro militares que aparecem nas imagens e ficaram inertes.

Metrópoles também solicitou posicionamento da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), mas, até a publicação desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para a manifestação.

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