Esposa de indigenista cobra apuração após relato de corpos encontrados
Informação que chegou à mulher de Dom Phillips é de que os corpos foram localizados. No entanto, autoridades negam essa versão

A suposta localização de corpos no Vale do Javari, no Amazonas, onde desapareceram o jornalista inglês Dom Phillips e o indigenista Bruno Araújo Pereira, continua gerando polêmica. A esposa de Bruno, Beatriz Matos, cobrou esclarecimentos sobre a procedência da informação.
A crise começou após o conselheiro da Embaixada do Brasil no Reino Unido, Roberto Doring, ter supostamente informado, nesta segunda-feira (13/6), a familiares de Dom de que corpos foram encontrados. A versão foi desmentida pela Polícia Federal.
“A Polícia Federal tem o compromisso de passar as informações para a família primeiro e para a superintendência de Manaus. Eles confirmaram para a gente que nenhum corpo foi encontrado, conforme nota oficial. É necessário que se apure de onde o embaixador tirou essa informação”, reivindicou, em publicação no Twitter.

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Ver todasDe acordo com a esposa de Dom, Alessandra Sampaio, as equipes de buscas teriam localizado os cadáveres dos dois homens.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA informação foi dada por ela ao jornalista André Trigueiro, do canal de notícias GloboNews. Um conselheiro da Embaixada do Brasil em Londres teria confirmado a localização dos corpos.
O jornal britânico The Guardian, onde Dom é colaborador, noticiou que os irmãos dele também foram informados da descoberta de dois corpos “amarrados a uma árvore em floresta remota”.
A Polícia Federal e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) negam que os corpos tenham sido encontrados, e mantêm a versão de que eles permanecem desaparecidos, e que as buscas continuam.
A polícia federal tem o compromisso de passar as informações para a família primeiro e para a superintendência de Manaus. Eles confirmaram para gente que nenhum corpo foi encontrado, conforme nota oficial. É necessário que se apure de onde o embaixador tirou essa informação.
— Beatriz Matos (@irekaron) June 13, 2022
Bolsonaro comenta
O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse, nesta segunda-feira (13/6), que os indícios levam a crer que foi feita “alguma maldade” com a dupla.
“Os indícios levam a crer que fizeram alguma maldade com eles, porque já foram encontradas, boiando no rio, vísceras humanas, que já estão aqui em Brasília para fazer o DNA. E pelo prazo, pelo tempo, já temos hoje oito dias, indo para o nono dia que isso tudo aconteceu. Vai ser muito difícil encontrá-los com vida. Eu peço a Deus que isso aconteça, que os encontremos com vida, mas os informes, os indícios levam para o contrário no momento”, disse Bolsonaro em entrevista à CBN Recife.
A Organização das Nações Unidas (ONU) criticou a ação “extremamente lenta” do governo brasileiro e cobrou que as autoridades “redobrem esforços” nas operações de busca.
O desaparecimento
Segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira se deslocavam com o objetivo de visitar a equipe de vigilância indígena que atua perto do Lago do Jaburu. O jornalista pretendia realizar entrevistas com os habitantes daquela região.
De acordo com relatos, o desaparecimento ocorreu no trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael e a cidade de Atalaia do Norte. A dupla foi vista pela última vez no dia 5 de junho.
Ao todo, segundo a Polícia Federal, 250 agentes e dois aviões atuam nas buscas. A Justiça Federal já havia determinado que o governo acionasse helicópteros, embarcações e equipes de buscas da Polícia Federal, das forças de segurança ou das Forças Armadas, para intensificar o rastreio dos desaparecidos.
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