Entrega por aplicativo pode ficar mais cara com regulação?

Projeto em discussão prevê regras mínimas de remuneração para trabalhadores de aplicativos e gera debate sobre repasse ao consumidor

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O motorista de aplicativo Jonas Ferreira fala sobre os prós e contras do trabalho autônomo.
1 de 1 O motorista de aplicativo Jonas Ferreira fala sobre os prós e contras do trabalho autônomo. - Foto: Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O projeto que regulamenta o trabalho por aplicativos, previsto para votação até abril na Câmara dos Deputados, levanta dúvidas sobre possível aumento no preço de corridas e entregas, em meio a divergências entre governo e empresas sobre a criação de um valor mínimo por serviço.

A proposta defendida pelo governo prevê pagamento de R$ 10 por serviço de até 4 quilômetros e mais R$ 2,50 por quilômetro adicional, além de outras medidas voltadas à transparência dos algoritmos e ao acesso à previdência social para os trabalhadores.

A iniciativa busca estabelecer um piso de remuneração e melhorar as condições de trabalho de entregadores e motoristas que atuam por meio de aplicativos.

Atualmente, a maior parte desses trabalhadores atua como autônomo e recebe valores definidos pelas plataformas digitais, sem garantia mínima de pagamento por corrida ou entrega.


Entenda a proposta de regulamentação dos aplicativos

  • O projeto em discussão prevê estabelecer um valor mínimo pago aos entregadores por corrida ou entrega realizada, além de um adicional por quilômetro percorrido;
  • A proposta inclui a obrigatoriedade de recolhimento previdenciário para garantir acesso dos trabalhadores a benefícios como aposentadoria e auxílio-doença;
  • Plataformas terão que fornecer informações mais claras sobre como são calculados os valores pagos por corrida ou entrega e quais critérios definem a distribuição das demandas;
  • O texto também prevê que empresas criem ou financiem pontos de apoio para trabalhadores, com acesso a água, banheiro e locais de descanso;
  • A proposta busca criar regras específicas para o trabalho em aplicativos sem necessariamente estabelecer vínculo empregatício tradicional, mantendo o modelo de autonomia dos trabalhadores.

Representantes das empresas de aplicativos afirmam que são favoráveis à regulamentação, mas alertam que o modelo precisa garantir viabilidade econômica. Na avaliação do setor, a criação de um piso obrigatório de pagamento pode aumentar os custos das plataformas e acabar refletindo no preço das entregas.

Executivos do setor também argumentam que, embora o valor pago por corrida possa subir com a nova regra, o aumento de custos pode reduzir o número de pedidos realizados pelos consumidores.

Com menos demanda, a renda total de entregadores poderia acabar sendo afetada, segundo representantes das empresas.

O projeto ainda está em discussão entre governo, parlamentares e representantes do setor. Um dos principais impasses é justamente o valor mínimo por entrega, enquanto integrantes do governo defendem o piso de R$ 10, há propostas no Congresso Nacional que sugerem valores menores.

Com milhões de usuários e centenas de milhares de trabalhadores envolvidos, a regulamentação do trabalho por aplicativos deve definir novos parâmetros para o funcionamento do mercado de delivery no país e pode influenciar diretamente o preço pago por quem utiliza esses serviços.

O que propõe o governo

Entre as mudanças defendidas pelo Executivo estão a definição de uma taxa mínima por entrega, maior transparência nos sistemas que definem os valores pagos aos trabalhadores e a criação de contribuições previdenciárias para garantir acesso a benefícios como aposentadoria.

Outro ponto em discussão é o fim das chamadas entregas agrupadas, quando um entregador realiza vários pedidos em uma única viagem sem receber remuneração proporcional.

O governo também defende a criação de pontos de apoio financiados pelas plataformas para oferecer estrutura básica aos trabalhadores, como locais de descanso e acesso a banheiro.

Segundo integrantes do governo, as medidas buscam reduzir a instabilidade da renda de entregadores e dar mais segurança jurídica ao setor, que cresceu rapidamente nos últimos anos com a expansão dos serviços de delivery no país.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?