Encontro virtual promove debate sobre feminismo liberal

O debate acontece na quinta-feira (17/6), às 19h, no página da Biblioteca Salomão Malina no Facebook

atualizado 16/06/2021 14:37

A Fundação Astrojildo Pereira (FAP) e a Biblioteca Salomão Malina organizam, nesta quinta-feira (17/6), das 19h às 20h30, um debate virtual sobre o feminismo liberal e como ele contribui para a realidade das mulheres. O encontro será transmitido pela página da Biblioteca Salomão Malina no Facebook.

A vice-diretora executiva do LOLA (Ladies of Liberty Association) Brasil, Mariana Valentim, será mediadora do debate, ao lado da advogada Cecília Rodrigues. A economista Olívia Carneiro e a cientista política Anna Beatriz serão as palestrantes do evento.

Adepta do feminismo liberal, arquiteta, empresária e mulher transexual, Mariana afirma que a “frágil democracia está sendo corroída” no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ela também é conselheira do Livres e integra grupo de mulheres e diversidade do Cidadania.

Além disso, segundo o portal da FAP, contesta propostas como a da “bolsa-estupro” e destaca que “prostituição não é estupro pago”. De acordo com a empresária, “existe mulher que se prostitui por se sentir dona de seu corpo”, contradizendo algumas feministas.

Valentim aponta que o presidente do país representa um “projeto autocrático em curso com risco de ser confirmado em 2022”. Ela afirma que as minorias precisam se unir neste momento, priorizando o debate, “para combater a escalada do reacionarismo”.

A vice-diretora também explica que defender o direito das mulheres à liberdade não tem nada a ver com estereótipo felinos ligados à luta feminista, como loucura e tensão pré-menstrual (TPM). Para ela, isso é utilizado como uma maneira de deslegitimar essa luta.

Para Mariana Valentim, o feminismo liberal representa o “caminho do meio” na busca da equidade de gênero. Ela salienta que “o autoritarismo passeia dos dois lados”, afirmando que o feminismo radical não pode decidir as escolhas das mulheres e que existe movimento antifeminista na parte da direita.

“Bolsa estupro”

Mariana Valentim pede para que o segmento atente-se ao projeto de lei do senador Eduardo Girão (Podemos -CE), que pretende criar o Estatuto da Gestante, conhecido popularmente como “bolsa estupro”.

A proposta do estatuto obrigaria o pai, quando for identificado, a arcar com a paternidade, mesmo sendo um estuprador. O Estado se responsabilizaria pelo pagamento de um salário mínimo até o filho completar 18 anos.

Após votações no Senado Federal e forte articulação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, a Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres recomendou, em abril deste ano, que o Senado arquivasse o projeto de lei.

Mariana defendeu o direito da vítima de violência sexual decidir se quer ou não abortar, como autorizado, em 2012, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e questionou as propostas do projeto.

Prostituição

A arquiteta afirma que a realidade das prostitutas é outro tópico importante para ser tratado sem preconceito, apesar da polêmica do assunto entre os grupos feministas. Para ela, o fato de feministas radicais chamarem a prostituição de estupro pago é uma tentativa de reduzir a pauta.

“Ninguém pode colocar o dedo na cara de uma mulher e dizer que o que ela faz é estupro pago ou objetificação de seu corpo, como muitas feministas dizem. Com esse discurso, sai de uma opressão para entrar em outra”, aponta.

A exploração sexual é crime no Brasil, ao contrário da prostituição. Apesar da última atividade ser reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a questão não está perto de chegar a um consenso. Mariana afirma que isso acontece devido ao poder de escolha das mulheres sobre seus corpos.

A empresária diz que existem mulheres na atividade por se sentirem donas de seus corpos. “Deveria ter políticas públicas de saúde para as mulheres, inclusive travestis, por exemplo, mas há resistência tanto do lado da extrema esquerda quanto da extrema direita, neste caso”, completa.

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