Empresário que denunciou corrupção no MEC: pastor pediu "doação"
Evaldo Brito, que denunciou o pagamento de propina, contou como os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos operavam o "gabinete intinerante"

O empresário e radialista Evaldo Brito, que denunciou o suposto esquema de corrupção que resultou na prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e mais quatro suspeitos, deu entrevista ao Fantástico desse domingo (26/6). Ele contou, com detalhes, como ocorria a atuação do chamado “gabinete intinerante”.
“Eu descobri que o ministro tinha um gabinete itinerante. Os técnicos do FNDE iam para um determinado município, organizavam um evento em parceria com os municípios, e aí todos os outros municípios eram atendidos”, contou. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) é o órgão responsável pela distribuição de recursos do MEC para os estados e municípios.
O empresário diz ter procurado o pastor Gilmar Santos, investigado por fazer parte do esquema, para checar a possibilidade de levar o gabinete intinerante e Ribeiro para Nova Odessa, município onde atua. A denúncia do empresário deu origem à operação Acesso Pago, da Polícia Federal.
Segundo Edvaldo, após os encontros com os técnicos, os pastores Gilmar e Arilton Moura organizavam um culto evangélico. “O ministro pregava nesse culto. Acabei descobrindo o contato do Gilmar através da própria igreja dele. Liguei para ele, que marcou para me atender em Brasília, num hotel. Eu fui até lá.”
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEm maio do ano passado ocorreu o encontro entre Gilmar, Arilton e o empresário. Os pastores aprovaram a ida do gabinete à cidade de Edvaldo e pediram que ele e o prefeito fossem até Brasília para gravar um vídeo com o então ministro.
Após a reunião, o empresário contou que o pastor Arilton pediu em troca uma quantia de R$ 100 mil.
“O próprio Arilton disse: ‘Olha, eu preciso que você faça uma doação. É para uma obra missionária’. Eu falei: ‘Tudo bem. E de quanto é essa doação?’, aí ele falou: ‘Ah, por volta de R$ 100 mil é a doação’. Eu falei: ‘É muito. Eu não tenho. Eu não tenho condição. Mas eu tenho amigos, pessoas, empresários que costumam investir na obra e que eu vou pedir a doação'”, revelou.

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Ver todasDefesa
O presidente Jair Bolsonaro (PL) saiu em defesa o ex-ministro Milton Ribeiro. Segundo ele, não havia “indícios mínimos de corrupção por parte” de Ribeiro. Em relatório enviado ao Ministério Público Federal (MPF), a PF diz que o ex-titular do MEC e os pastores evangélicos atuavam como “organização criminosa” na pasta.
“Quem começou essa investigação foi a Controladoria-geral da União a pedido do próprio Milton”, afirmou Bolsonaro durante entrevista do programa 4 por 4 no YouTube. O Ministério Público foi contra a prisão do Milton. Não tinha indícios mínimos de corrupção por parte dele. No meu entender, ele foi preso injustamente”, completou o presidente.
A tese da organização criminosa é corroborada pelo próprio MPF. “As provas carreadas aos autos demonstram a articulação da orcrim para utilizar verbas públicas em contrapartida a benefícios próprios”, escreveu a procuradora Carolina Martins Miranda de Oliveira em seu parecer sobre o caso.
Na entrevista, Bolsonaro também falou sobre a suposta interferência dele na PF, uma vez que há gravação de telefonema entre Ribeiro e a filha em que o ex-ministro fala de um pressentimento do presidente sobre a operação de busca e apreensão.
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