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Sócio ativo ou dono de ao menos 11 empresas no Distrito Federal, o empresário Fernando Costa Gontijo, 64 anos, abriu uma nova (a Guarujá Participações), em São Paulo, exclusivamente para arrematar, nesta terça-feira (15/5), o triplex no litoral paulista atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e responsável por levá-lo à prisão após condenação na Lava Jato.

Ele ofereceu o único lance, de R$ 2,2 milhões (valor mínimo), no leilão marcado pela Justiça para a venda da propriedade. O triplex foi arrematado cinco minutos antes do fim da primeira etapa do certame virtual. Naquele momento, 54.900 internautas já tinham visitado a página on-line, mas sem manifestar desejo de comprar o apartamento.

Conforme a assessoria do empresário revelou ao Metrópoles, Fernando Costa Gontijo gostou da vista e considerou o apartamento, que achou bem grande, uma boa oportunidade de investimento futuro. No entanto, ele ainda não decidiu o destino que dará ao triplex. Mas já adiantou não pretender morar no litoral paulista: ele vive em Brasília.

Segundo a Lava Jato, o imóvel seria um presente da construtora OAS ao ex-presidente Lula, que nega ser dono do apartamento. Seja como for, além do valor do lance pelo triplex, Gontijo pagará também uma dívida de R$ 47 mil de condomínio. De acordo com a assessoria do comprador, a história por trás da unidade, envolvendo Lula e a Lava Jato, foi outro atrativo que o fez decidir pela aquisição.

Outras empresas
Fernando Costa Gontijo atua no mercado imobiliário da capital da República há mais de 30 anos. Ele trabalhou nesse setor da Via Engenharia, empresa investigada no Mensalão do DEM no DF (escândalo que culminou na renúncia do ex-governador José Roberto Arruda) e alvo da Operação Panatenaico – desdobramento da Lava Jato que apura irregularidades em ao menos duas obras ligadas à Via: o Centro Administrativo do Governo do Distrito Federal e o conjunto habitacional Jardins Mangueiral. Seu desligamento da companhia ocorreu em 2001.

Na época em que Fernando Costa Gontijo foi diretor da Via Engenharia, ele respondeu a uma ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), ao lado do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena Filho, a empresa EDH Empreendimentos Ltda e mais duas pessoas. Supostamente, o grupo teria cometido irregularidades em convênios firmados entre o Ministério da Saúde e a prefeitura da capital paraibana voltados à construção do Complexo Hospitalar de Mangabeira.

Conforme informou a equipe de Fernando Costa Gontijo, a Guarujá Participações foi constituída exclusivamente para a compra do triplex e ainda não há previsão do envolvimento da firma em novos negócios do empresário. “É uma aposta, mas acredito que pode ser um bom negócio. O imóvel tem posição privilegiada, de frente [para o] mar… Achei que era um bom investimento”, destacou o comprador.

No site da Junta Comercial do DF, o registro da Guarujá é de 29 de março, 13 dias após o início do leilão. Gontijo deve efetuar o pagamento dos R$ 2,2 milhões oferecidos pelo triplex nos próximos três dias, a fim de assumir a propriedade. Na sentença em que o juiz federal Sérgio Moro condenou o ex-presidente Lula, em agosto de 2017, o apartamento havia sido avaliado em R$ 2,4 milhões. Com base nesse valor, o imóvel teria sofrido depreciação de R$ 200 mil no leiloamento realizado nesta terça-feira (15/5).

Segundo a descrição no site do leilão eletrônico, “no primeiro pavimento há uma sala com varanda, cozinha e área de serviço, lavabo e uma suíte (conforme informações da sra. Mariuza, da empresa OS, a suíte não existia na planta original, havendo modificações e inclusão deste dormitório)”. (Com informações do O Globo e do Estado de São Paulo)

 

 

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