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Brasil

Empresa acusada de trabalho análogo à escravidão recusa acordo com MPT

A Fênix Serviços Administrativos e Apoio à Gestão de Saúde Ltda. negou que tenha existido trabalho em condições análogas à escravidão

Celimar de Meneses03/03/2023 11:35, atualizado 02/05/2023 10:26
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Ubirajara Machado/MPT
Sede do MPT

A negociação entre a empresa Fênix Serviços Administrativos e Apoio à Gestão de Saúde Ltda. e o Ministério Público do Trabalho (MPT) terminou sem que a empresa aceitasse a proposta de acordo do órgão de fiscalização e, por isso, se recusa a pagar indenização às vítimas. As tratativas foram encerradas nessa quinta-feira (2/3) e, agora, segue o inquérito civil de responsabilização da empresa.

A Fênix é acusada pelo MPT de manter 207 trabalhadores em situação análoga a escravidão, eles foram resgatados em diligências que aconteceram a partir de 22 de fevereiro. As vítimas estavam em alojamento no município de Bento Gonçalves (RS), na Serra Gaúcha.

O MPT criou um grupo de trabalho para atuar no caso, com procuradores do Rio Grande do Sul e da Bahia, de onde a maior parte dos trabalhadores vieram. Segundo o órgão, a proposta de acordo não foi aceita porque a empresa não quis reconhecer a ocorrência de trabalho em condições análogas à escravidão.

Apesar disso, o órgão conseguiu garantir o pagamento de verbas rescisórias aos trabalhadores resgatados. As vítimas já foram levadas aos estados de origem.

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Empresa pagou verba rescisória a trabalhadores resgatados
Trabalhadores embarcando em ônibus, eles foram levados de volta a estados de origem
Coletiva de imprensa com autoridades que participaram de operação de resgate
Trabalhadores resgatados precisaram ser levados a um ginásio
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Trabalhadores resgatados precisaram ser levados a um ginásio

Divulgação/MPT
Empresa pagou verba rescisória a trabalhadores resgatados
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Empresa pagou verba rescisória a trabalhadores resgatados

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Trabalhadores embarcando em ônibus, eles foram levados de volta a estados de origem
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Trabalhadores embarcando em ônibus, eles foram levados de volta a estados de origem

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Coletiva de imprensa com autoridades que participaram de operação de resgate
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Coletiva de imprensa com autoridades que participaram de operação de resgate

Divulgação/MPT

A situação de exploração acontecia na cadeia de produção de vinhos da Serra Gaúcha, se beneficiaram do trabalho escravo as produtoras de vinho Aurora, Salton e Cooperativa Garibaldi, gigantes do setor.

“A situação verificada acende um alerta sobre a necessidade de atuação focada em toda a cadeia produtiva da uva, que todo ano atrai para a serra gaúcha diversos trabalhadores em busca de emprego e melhoria de condição de vida. No entanto, nem sempre é isso que ocorre, como visto durante a operação deflagrada”, disse a procuradora Franciele D’Ambros.

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Agressões, refeição estragada e jornada exaustiva

Depoimentos de pessoas resgatadas relatam uma rotina de agressões físicas, falta de condições de higiene, comidas estragadas e jornadas exaustivas de trabalho.

Segundo três dos trabalhadores, após a colheita das uvas, eles eram recebidos no alojamento por seguranças do chefe da empresa que os agrediam com mordidas, choques, socos e enforcamentos. Eles assinaram contrato para trabalhar durante 45 dias, com jornada diária de 15 horas, por um valor de R$ 3 mil. O montante nunca foi pago.

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Dormitório de trabalhadores explorados no Rio Grande do Sul
Alojamento onde ficavam os resgatados
Alojamento de trabalhadores resgatados no Rio Grande do Sul
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Alojamento de trabalhadores resgatados no Rio Grande do Sul

Divulgação/MPT
Dormitório de trabalhadores explorados no Rio Grande do Sul
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Dormitório de trabalhadores explorados no Rio Grande do Sul

Divulgação/MPT
Alojamento onde ficavam os resgatados
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Alojamento onde ficavam os resgatados

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O dono da empresa operava um pequeno mercado dentro da vinícola, onde vendia itens básicos aos trabalhadores. Em posse de R$ 400, dado pelo empregador, os homens poderiam comprar no local. O valor dos produtos, contudo, estava muito acima do preço normal de mercado. Para ilustrar, um pacote de biscoito de água e sal era vendido a R$ 15.

No que diz respeito à higiene, o alojamento tinha quatro privadas para mais de 200 trabalhadores. Os quartos eram compostos por beliches amontoados e não recebiam qualquer tipo de limpeza ou manutenção.

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