Emoção: violinista toca hino preferido da mãe durante enterro em Goiás
Selma Borges, de 46 anos, morreu na noite de domingo (14/3) por Covid-19, em São Luís de Montes Belos (GO), após ter piora repentina
atualizado
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Goiânia – O músico Rafael Borges, de 20 anos, precisou encontrar forças na segunda-feira (15/3) para cumprir um desejo exposto, anteriormente, pela mãe. Vítima de Covid-19, Selma Maria Borges de Oliveira, de 46 anos, faleceu no domingo (14/3) e sempre dizia, em vida, que se um dia tivesse um funeral, desejaria que fosse tocado o hino Que Bela Herança.
O momento foi registrado por familiares. Rafael chegou com seu violino ao cemitério de Messianópolis, distrito do município de Moiporá, que fica no oeste de Goiás. Emocionado, ele respirou fundo e começou a tocar a música que sempre tocava para a mãe, quando estavam juntos em casa.
“É uma melodia que nunca mais se apagará da minha mente. Quando ela lavava louça, ela cantava a letra desse hino. Toquei várias vezes para ela. Quando eu estava em casa gravando ou tocando, eu falava para ela pedir uma música e ela sempre pedia Que Bela Herança”, conta ele ao Metrópoles.
Veja o momento de emoção:
Piora repentina e severa
Selma testou positivo no dia 6 de março, após o esposo também apresentar sintomas e ser diagnosticado com Covid-19. Segundo Rafael, ela estava bem, visivelmente forte e resistindo aos efeitos da doença em casa, quando, do quinto para o sexto dia, apresentou piora repentina e severa.
A família estava otimista com a recuperação dela. Rafael e a irmã achavam, inclusive, que o pai teria mais problemas com a Covid-19 do que a mãe, porque ele apresentava sintomas de maneira mais visível. Ele estava com falta de ar, não conseguia conversar e tossia bastante.
Rafael conta que ela estava tomando banho, quando teve uma crise de tosse e chegou na sala, onde estava a família, já com fisionomia de cansaço e debilitada. Ela foi levada para o Hospital Regional de São Luís de Montes Belos, onde ficou internada por três dias.
“A gente viu ela saindo de casa. No hospital, estava bem, acompanhada pelos médicos, eles estavam otimistas e achamos que ia dar tudo certo. Mas ligaram para a gente de lá no domingo, pedindo para levar os documentos dela e o comprovante de residência. Na hora, já veio o nó na garganta”, diz o filho.
Na tarde de domingo, Selma sofreu queda brusca da saturação e teve parada cardíaca. Os médicos conseguiram reanimá-la e estabilizá-la, mas, instantes depois, ela voltou a piorar e não resistiu.

“Na hora, pensei na melodia”
Ela era comerciante. Trabalhava junto do marido em um estabelecimento que vende espetinhos em São Luís de Montes Belos. É um casal conhecido na cidade. Rafael mora em Goiânia, onde trabalha como músico, tocando em eventos.
Nas últimas duas semanas, devido ao fechamento do comércio na capital, ele foi para a casa dos pais e passou os últimos dias ao lado da mãe. “Foi muito pesado. Na hora que eu recebi a notícia do falecimento dela, pensei na melodia do hino. Consegui realizar o desejo dela. Honrei a minha mãe”, diz.
Goiás já registrou 9.910 mortes por Covid-19 e segue no pior momento da pandemia, desde o início das contaminações, há um ano. Mesmo com o aumento de leitos de unidade de terapia intensiva (UTI), a ocupação segue próxima dos 100% e a transmissão de novas variantes do coronavírus já ocorre de maneira comunitária.














