Em negociação por delação premiada, Vorcaro completa um mês na prisão

Detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, o ex-banqueiro tem recebido advogados diariamente para coletar informações

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vorcaro preso
1 de 1 vorcaro preso - Foto: Arte/Metrópoles

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro completa, neste sábado (4/4), um mês preso, após ser detido no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF). O dono do Banco Master negocia acordo de delação premiada, que tem gerado temor nos bastidores do núcleo político brasileiro.

A PF  investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Master. A investigação apura suspeitas de crimes financeiros no Banco Master, pagamentos indevidos a agentes públicos e a existência de uma estrutura paralela de monitoramento.

Segundo investigadores, esse grupo teria atuado como uma espécie de “milícia privada”, voltada ao acompanhamento de alvos de interesse da organização investigada.

A detenção pela corporação ocorreu em 4 de março depois de um mandado de prisão preventiva contra Vorcaro, que foi preso em casa, em São Paulo, e levado até a Superintendência da PF, na capital paulista.

Dois dias depois, o empresário foi transferido para a Penitenciária Federal de Brasília — um dos cinco presídios federais de segurança máxima do país.

No dia 19 do mesmo mês, o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, autorizou a transferência de Vorcaro para a Superintendência da PF em Brasília. A mudança integra as tratativas para a colaboração premiada, já que, no local, Vorcaro está mais próximo dos investigadores.

Na ocasião, o Metrópoles registrou com exclusividade imagens da chegada dele à Superintendência. Veja:

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Vorcaro é transferido para Superintendência da PF em Brasília
Daniel Vorcaro é retirado do helicóptero na Superintendência da PF no Distrito Federal
A mudança foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a pedido da defesa, e já integra as tratativas em torno de um possível acordo de colaboração premiada
Vorcaro é transferido para Superintendência da PF em Brasília
Vorcaro é transferido para Superintendência da PF em Brasília
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Vorcaro é transferido para Superintendência da PF em Brasília

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
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Daniel Vorcaro é retirado do helicóptero na Superintendência da PF no Distrito Federal
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Daniel Vorcaro é retirado do helicóptero na Superintendência da PF no Distrito Federal

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A mudança foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a pedido da defesa, e já integra as tratativas em torno de um possível acordo de colaboração premiada
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A mudança foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a pedido da defesa, e já integra as tratativas em torno de um possível acordo de colaboração premiada

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Vorcaro é transferido para Superintendência da PF em Brasília

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No mesmo dia, o ex-banqueiro assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a PF, abrindo caminho para a delação.

Desde a mudança para a Superintendência, os advogados de Vorcaro intensificaram as reuniões com o banqueiro e estão indo ao local diariamente para coletar as informações e apresentar a proposta às autoridades.


Entenda

  • O ex-banqueiro Daniel Vorcaro é o fundador e principal controlador do Banco Master, que cresceu rapidamente no mercado financeiro na última década.
  • O banco atraiu milhares de investidores oferecendo CDBs com juros acima do mercado, chegando a captar cerca de R$ 50 bilhões. Parte relevante desses recursos era aplicada em ativos de baixa liquidez, como precatórios e empresas em dificuldade, o que aumentava o risco da operação.
  • A PF identificou indícios de um esquema que incluía emissão de títulos sem lastro, operações simuladas e ocultação de recursos por meio de empresas intermediárias. As suspeitas apontam para uma estrutura organizada de fraude dentro do banco.
  • Diante da deterioração financeira e de infrações às regras do sistema, o Banco Central (BC) decretou, em novembro de 2025, a liquidação da instituição, encerrando suas atividades e marcando o início da fase mais grave do caso.
  • No mesmo mês, Vorcaro foi preso pela PF no Aeroporto de Guarulhos ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Posteriormente, foi solto sob a condição de uso de tornozeleira eletrônica, mas acabou sendo preso novamente em março deste ano durante uma nova fase da investigação.
  • As investigações passaram a apontar corrupção de autoridades, lavagem de dinheiro, invasão de sistemas e até planos de intimidação contra jornalistas. Também surgiram indícios de que Vorcaro mantinha conexões com autoridades do BC, Congresso e Judiciário, o que ampliou o caso para além do âmbito financeiro e o transformou em uma crise de dimensão política e institucional.

Delação

Em busca de redução de pena, Vorcaro sinalizou que pretende apresentar uma colaboração ampla, sem restrições, com nomes, documentos e provas que, segundo sua defesa, podem atingir políticos e integrantes do Judiciário. A estratégia é aumentar o alcance das revelações para ampliar as chances de benefícios legais.

Como mostrou o Metrópoles, os advogados do dono do Master têm pressa em fechar o acordo para tentar um habeas corpus o quanto antes para o ex-banqueiro. No entanto, eles o avisaram sobre as chances serem praticamente nulas de conseguir um perdão total na Justiça mesmo após a colaboração e a confissão de culpa.

A defesa também alertou o empresário de que vai precisar de uma grande colaboração dele para entregar os nomes de todos os envolvidos — o que pode derrubar autoridades dos Três Poderes e de diferentes espectros políticos.

Investigadores, no entanto, dizem que a palavra do delator, por si só, não sustenta acusações. As informações precisam ser acompanhadas de provas concretas e verificáveis. A validação cabe à PF e ao Ministério Público (MP).

A expectativa pela colaboração premiada aumentou depois do vazamento de mensagens que expõem o relacionamento próximo de Vorcaro com autoridades. A PF faz a extração dos dados dos oito celulares do banqueiro para ter noção da dimensão dos crimes e de quem estaria envolvido.

Entenda o passo a passo da delação aqui.

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