Em CPI, Marcos do Val confronta diretor da PF e se diz perseguido
Andrei Rodrigues compareceu à CPI do Crime Organizado e disse que a PF “não se desvirtua” de seu dever institucional
atualizado
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O senador Marcos do Val (Podemos-ES) aproveitou a presença do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado para confrontar o chefe da corporação por ter sido alvo de operações da PF. Acompanhe a sessão:
Segundo do Val, ele recebeu uma decisão de entidade internacional considerando-o um “perseguido político”, e disse que ao descrever sua situação, ele estaria abordando não apenas um caso pessoal, mas um “sintoma que estamos passamos”.
“O uso coordenado de estruturas do estado, em especial da Polícia Federal, para blindar aliados e intimidar opositores com investigações e medidas cautelares seletivas, vazamentos direcionados e comunicação oficial sem lastro técnico profissional. Esse modus operandi captura de órgãos sua finalidade, o silenciamento de fiscalizadores, repele a lógica da organização criminosa, controle de fluxo de informações, intimidação de testemunhas e manutenção de poder por meios espúrios. Cabe a esta CPI mapear os elos institucionais e restaurar a governança”, criticou Marcos do Val.
O senador, então, passou a elencar alguns materiais da imprensa e outros divulgados nas redes sociais que supostamente corroborariam com sua fala, como quando o diretor-geral da PF citou, em entrevista, postagens de Do Val sobre um delegado da corporação.
Do Val também mostrou uma montagem que que ele fez com o rosto do referido delegado no corpo de uma criança, e que teria sido considerada como sendo da família do agente.
Andrei está na CPI após ser convidado para contribuir com os trabalhos da comissão acerca da investigação de organizações criminosas no Brasil e foi questionado pelos senadores a esse respeito por diversos senadores, que podem direcionar perguntar à autoridade.
Na vez de do Val, que tinha 10 minutos para fazer sua pergunta, o senador usou tem tempo para falar de operações da PF que o teve como alvo. Em uma delas, em agosto deste ano, a Justiça determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelo parlamentar – o que foi revertido posteriormente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O senador é investigado desde 2024 em procedimento que apura suposta tentativa de obstrução de investigações sobre organização criminosa e incitação ao crime. Ele é suspeito de realizar campanha de ataques institucionais contra o STF e à própria Polícia Federal, incluindo a divulgação de dados pessoais de delegados que atuam em investigações na Corte.
A resposta de Andrei Rodrigues
Em resposta, o diretor da PF disse que não entraria no mérito dos questionamento do senador, indicando que o foro mais adequado para isso seria o STF. Ele disse, no entanto, que “desafia quem quer que seja a mostrar concretamente qualquer perseguição ou qualquer proteção que tenhamos feito”.
“Aqui mesmo foi citado pelos senadores operações que ora atingem um campo político, ora atingem outro. E em nenhum momento a polícia se desvirtua de ser uma polícia de estado, de cumprir a sua missão”, concluiu.
