Apoio a Simone Tebet deve ser confirmado, mas PSDB mantém racha

Ala ainda insiste em candidatura própria, e reclama que haverá dificuldades nos estados para defender Simone em cenário polarizado

atualizado 09/06/2022 15:17

Divulgação

A reunião da comissão executiva do PSDB para decidir o apoio formal da legenda à candidatura de Simone Tebet (MDB) à Presidência da República foi realizada nesta quinta-feira (9/6). Apesar de a maior parte da cúpula do partido apontar para a coligação com o MDB no plano nacional, lideranças importantes da legenda ainda insistem em uma candidatura própria tucana e defendem o nome do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite – que perdeu as prévias para João Doria (SP) – como cabeça de chapa.

O ex-governador de Goiás Marconi Perillo saiu do encontro se dizendo “broxado” com o rumo da reunião. “Desde 1986 eu não digito outro número nas urnas a não ser 45”, disse o tucano.

No encontro, Perillo ainda colocou um desafio aos seus colegas de partido: o de perguntar ao próprio Eduardo Leite se ele aceitaria a tarefa de encarnar uma candidatura tucana ao Planalto.

Perillo alega que Leite só não disse que aceitaria porque não foi feita a pergunta a ele.

“Alguns de nós continuamos a defender a candidatura própria. E não é difícil fazer a defesa dessa tese. Nós temos excelentes nomes. O Eduardo Leite foi o segundo colocado na prévia, com votação muito boa, muito expressiva. Perdeu para o Doria por pouco”, insiste o ex-governador goiano.

“Com a desistência do governador Doria, o nome natural para ser candidato a presidente é Eduardo Leite”, defendeu. “A minha proposição é de que o partido inteiro convide ou convoque Leite pra ser o nosso candidato. Eu tenho certeza de que se houver uma convocação o governador diria que aceita ser candidato a presidente pelo PSDB.”

Cenário polarizado

O deputado federal Aécio Neves (MG), que foi candidato a presidente pelos tucanos em 2014, também saiu da reunião frustrado. “Neste momento, eu não vou mais tensionar essa questão. O que me preocupa é que o PSDB não tenha para entregar aquilo que eventualmente entregaria”, disse Aécio.

“O PSDB terá enorme dificuldade de caminhar com a candidatura do MDB (caso apoie Simone). Tenho enorme respeito pela senadora Simone Tebet, um dos melhores quadros da política brasileira. Mas eu continuo entendendo que, pelo papel que o PSDB já exerce na política brasileira, sobretudo em razão da polarização que nós vamos assistir nessas eleições, para o país, que seria necessário que o PSDB tivesse uma candidatura própria para sinalizar para o futuro, o que eu chamaria de uma certa reinstitucionalização da política”, disse o mineiro.

Também compartilharam dessa visão o ex-deputado Marcos Pestana (MG) e o ex-senador José Aníbal (SP), entre outros.

Acordo no Sul

Leite, por sua vez, faz parte de outro acordo que vem sendo tentado pela cúpula do PSDB para dar apoio a Simone Tebet. Nesse caso, ele seria o candidato tucano ao governo do Rio Grande do Sul, em coligação com o MDB. Agora, a cúpula da legenda espera apoio do MDB local para Leite.

Estiveram presidentes o secretário-geral, Beto Pereira, o líder do PSDB no Senado, Izalci Lucas, além de Pedro Vilela (AL), Paulo Abi-Ackel (MG), Nilson Pinto (PA), Aécio Neves (MG), José Aníbal (SP), Eduardo Azeredo (MG), Thelma de Oliveira (PSDB-Mulher), Gabriela Cruz (Tucanafro), Edgar de Souza (Diversidade Tucana), Sérgio Ballaban, Moema São Thiago e Marcus Pestana (MG).

Participaram de forma remota o senador Tasso Jereissati, o líder dos tucanos na Câmara, Adolfo Viana (BA), Nelson Marchezan Júnior (RS), o tesoureiro do pardido, Cesar Gontijo (MG), Samuel Moreira, Vanderley Macris (SP), a prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro, o prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira, Júlia Jereissati, Mara Gabrilli, Eduardo Cury, Eduardo Barbosa, Joyce Hasselman, o prefeito de São Bernardo, Orlando Morando,  Marco Vinholi, Fernando Alfredo, e Manoela Imbassahy.

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