Ao Metrópoles, Manuela diz lutar para impedir a intolerância no poder
Candidata a vice-presidente na chapa de Haddad, a comunista defendeu fortalecimento do SUS e retomada do Bolsa Família em eventual gestão
atualizado
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Candidata a vice-presidente na chapa encabeçada pelo petista Fernando Haddad, a deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) defendeu, durante entrevista ao Metrópoles, que o Palácio do Planalto não seja ocupado por alguém com discurso “de ódio e intolerância”, em referência a Jair Bolsonaro (PSL). A comunista participou da rodada de sabatinas e recebeu a reportagem em São Paulo, na última sexta-feira (29/9).
“Precisamos ter à frente do governo pessoas que respeitem todos os brasileiros e brasileiras. Nenhum vale menos, nenhum vale mais. Todos somos iguais: mulheres, homens, brancos, negros, gays, lésbicas”, ressaltou.
A candidata critica a postura de divisão entre dois ‘brasis’. “Nós precisamos de todos os brasileiros e brasileiras para sermos um grande país. É impossível sermos a grande nação que podemos ser rejeitando mais da metade do nosso povo”, ponderou.
Para tanto, Manuela afirmou defender a revogação da reforma trabalhista e da PEC nº 95, que limita por 20 anos os gastos públicos. “Essas são reformas que punem as mulheres, empobrecem os negros e negras. Nós reconhecemos que o país precisa enfrentar o combate à LGBTfobia”, salientou.
Entre temas polêmicos, a gaúcha justificou a bandeira contra as privatizações brasileiras. “Não é uma questão moral. É por necessidade da etapa de desenvolvimento em que o país está. Imagina entregar o setor elétrico e energético para um outro país cuidar? Como retomar a atividade industrial do Brasil se nós não tivermos possibilidade de interferir no valor das tarifas? Não é um enfeite, é algo estratégico que esse setor não seja privatizado”, argumentou.
Veja a entrevista na íntegra:
Bolsa Família e SUS
Durante a entrevista, a candidata defendeu investimentos para fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), ao qual classificou como uma das conquistas do povo brasileiro. Além disso, Manuela reforçou os avanços no combate à miséria com a implantação do Bolsa Família para auxiliar famílias carentes.
“Há coisas que as pessoas podem ter opinião, têm outras que a ciência faz por nós. Existe indicador de política pública. As pessoas, às vezes, dão opinião como se estivessem falando de time de futebol. O bolsa família é uma política pública com todos os resultados a partir de indicadores nos mostrando que combate a miséria e garante autonomia dessas pessoas”, disse.
Sobre ser comunista no Brasil, a candidata afirmou que é lutar pelo desenvolvimento do país e contra a desigualdade. “Nosso sonho é um sonho de combate às injustiças”, enfatizou. Caso ocupe a segunda cadeira mais importante do país, a deputada estadual garantiu que compartilhará responsabilidades com o presidente.
Perfil da candidata
Escolhida pelo PCdoB para integrar a chapa presidencial de Fernando Haddad, Manuela Pinto Vieira D’Ávila tem 36 anos, nasceu em Porto Alegre, e é mãe de uma menina de três anos. Formada em jornalismo pela PUC-RS, também chegou a iniciar o curso de Ciências Sociais na UFRGS, mas não concluiu a graduação.
Ingressou na política nos meados da década de 1990 e participou de forma intensa do movimento estudantil. Integrou a União da Juventude Socialista (UJS) – braço do seu atual partido. Foi membro da direção nacional da entidade e também vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Em 2004, aos 23 anos, foi eleita vereadora de Porto Alegre. Dois anos depois, foi a deputada federal mais votada no Rio Grande do Sul. Em 2010, reelegeu-se para o cargo, quando relatou o Estatuto da Juventude. Defensora do feminismo e de políticas públicas para mulheres, foi eleita deputada estadual, em 2014, com recorde de votos.
Voz aos vice-presidenciáveis
Com duração de meia hora, a entrevista feita pelo repórter Eumano Silva faz parte da série de sabatinas aos vice-presidenciáveis realizadas pelo portal de notícias em parceria com a Articulação de Carreiras Públicas para o Desenvolvimento Sustentável (Arca). A entidade reúne 12 instituições representativas dos servidores de carreiras da administração direta e indireta.
O objetivo da série de entrevistas – assim como todas as iniciativas do Metrópoles nestas eleições – é fornecer aos brasileiros o máximo de informações que contribuam na hora de decidir o voto no pleito de outubro; desta vez, dando voz às mulheres e aos homens que pretendem comandar o país ao lado do próximo presidente da República.
O projeto começou na quarta-feira (26), quando foram ouvidos Germano Rigoto, vice de Henrique Meirelles (MDB); Sônia Guajajara, vice de Guilherme Boulos (PSol); Ana Amélia, vice de Geraldo Alckmin (PSDB); e Eduardo Jorge, vice na chapa de Marina Silva (Rede).
Desta segunda rodada de entrevistas, além de Manuela D’Ávila, participam a pedetista Kátia Abreu, vice de Ciro Gomes (PDT), e Christian Lohbauer, o professor Christian, parceiro de chapa de João Amôedo (ambos do Novo). Christian será sabatinado ao vivo, a partir das 9h desta terça-feira (2/10). Em seguida, será transmitida a entrevista gravada com a senadora Kátia Abreu.
