Em reunião sobre a UnB, ministro da Educação pede apoio a deputados

Abraham Weintraub se encontrou com parlamentares da bancada do DF e com a reitora da instituição para explicar bloqueio de verbas

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 16/05/2019 22:44

Um dia depois de ir à Câmara dos Deputados prestar esclarecimentos acerca do bloqueio de verbas da educação superior, o ministro da Educação, Abraham Weintraub (foto em destaque), pediu que parlamentares da bancada do Distrito Federal ajudassem a apaziguar a situação no Congresso Nacional.

A pedido da deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), ele se reuniu com os congressistas e com a reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, para discutir sobre o novo orçamento da instituição. A parlamentar marcou a reunião na noite dessa quarta-feira (15/05/2019), quando Weintraub estava em audiência geral na Câmara.

No encontro desta noite, o ministro fez um apelo aos parlamentares: que fizessem o papel de interlocução para melhorar o diálogo do Executivo na Casa. Também pediu que os deputados incentivem outros congressistas a  buscarem conversas individuais com ele a fim de acalmar os ânimos dos reitores de outros estados.

Segundo Belmonte, o titular da Educação ressaltou o papel dos deputados de ajudar a manter um canal aberto com colegas congressistas. “Ele pediu muito o apoio dos parlamentares, disse que era essencial nesse momento”, lembrou a deputada.

A reitora Márcia Abrahão, disse, no fim da reunião, que o ministro não parecia estar a par da situação atual da UnB – e pouco conhecia sobre os projetos da instituição. Para mostrar o alto nível acadêmico da universidade, Márcia fez uma apresentação com números “para apresentar a alta qualidade da instituição” a Weintraub.

“Não tem onde cortar”
Apesar de o ministro ter se mostrado aberto para ouvir apontamentos sobre a universidade, Márcia afirma que ele não se empolgou quando soube do status da UnB no ranking da América Latina e nos índices de qualidade do MEC. “Ele disse que era pouco”, lembrou.

A reitora (foto abaixo) conta que, diante do cenário, “não tem mais onde cortar nesse ano”. “Desde quando assumi, fiz ajustes nas contas da universidade. Mas não tem mais espaço para fazer”, acrescentou. Entretanto, Márcia ressalta a disponibilidade do ministro de analisar, especificamente, contratos importantes para a instituição que teriam de ser renovados. “Analisaria caso a caso se conseguiria apoiá-los”, pontuou.

Vinícius Santa Rosa/Metrópoles

Até abril, o bloqueio feito pelo MEC era de R$ 38,5 milhões, segundo identificado pela UnB no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). Contudo, o contingenciamento subiu para R$ 48,5 milhões, sem aviso prévio, no último dia 3. Além da instabilidade que atrapalha a previsão e organização de licitações e contratos, a instituição agora precisa passar o ano com 39% a menos do orçamento previsto na última Lei Orçamentária Anual (LOA).

Descontados os valores da assistência estudantil, restam à UnB R$ 63,8 milhões dos R$ 112,3 previstos para 2019. O bloqueio é de R$ 43,9 milhões em custeio e R$ 4,6 milhões de investimentos. O contingenciamento afeta o pagamento de água, luz, vigilância, monitorias e bolsas de iniciação científica, entre outros.

De acordo com a reitora, Weintraub repetiu algumas vezes que “não queria prejudicar a universidade”, só mudar o modelo de educação dela, que “está falido”. Segundo o ministro, o sistema atual não consegue se sustentar e, por isso, a UnB tem que buscar gerar renda sozinha. Conforme Márcia Abrahão, ele sugeriu, inclusive, que a instituição faça contratos com a iniciativa privada.

Outro assunto reforçado pelo ministro foi a presença de policiais militares na UnB. Contudo, Márcia ressalta que a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal já participa de uma parceria com a instituição, e já há um batalhão de polícia que faz rondas frequentes no campus. “Nós não entendemos [a insistência], porque já temos essa prática”, complementou.

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