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Economia

Secretário da Receita sobre mudança no e-commerce: "Fazendo justiça"

Segundo o secretário da Receita, Robinson Barreiras, não está em debate retirar alíquota do Imposto de Importação para e-commerce, de 60%

17/04/2023 13:40
Igo Estrela/Metrópoles
homem de traços orientais, óculos e terno olha para o lado esquerdo ministério da fazenda

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse nesta segunda-feira (17/4) que o fim da isenção de impostos para encomendas internacionais de pessoas físicas para pessoas físicas com valor de até US$ 50 visa fazer justiça.

Empresas de varejistas asiáticas, como Shein, Shoppee e AliExpress, estariam se passando por pessoas físicas para enviar as encomendas a clientes do Brasil sem cobrança de imposto. O fato tem gerado pressão das varejistas nacionais sobre o governo.

“Muitas empresas já vieram a público apoiar a medida, inclusive, porque se a empresa declara bem adequadamente, ela não coloca o nome de uma pessoa física qualquer como remetente, se ela declara o bem corretamente, esse imposto já é recolhido”, disse o secretário.

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Segundo Barreirinhas, para essas empresas que atuam corretamente não muda nada. E nem para o consumidor. “O que nós estamos fazendo é, inclusive, uma justiça em relação às empresas que competem também nesse ambiente”, continuou ele.

“Então, a premissa de que vai ser repassado, de que vai ser cobrado a mais ela não é totalmente verdadeira. Repito: muitas empresas que vieram a público apoiar essa medida (empresas de comércio eletrônico) elas já atuam dentro da lei, a gente não pode generalizar em relação a isso”.

Barreirinhas reforçou ainda que não haverá mudança para quem compra e vende de maneira legal pela internet, cuja alíquota do Imposto de Importação é de 60%. “Não está em debate retirar essa alíquota”, concluiu.

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Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal
Robinson Barreirinhas é secretário da Receita Federal
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Concorrência desleal e sonegação

Representantes da indústria brasileira pressionam para que as varejistas internacionais sejam enquadradas pelo governo federal sob a alegação de concorrência desleal e sufocamento do varejo nacional.

Essas varejistas acusam as concorrentes de praticarem “contrabando digital” e evasão fiscal, pois elas estariam se aproveitando de brechas nas regras e fraudando vendas para evitar a cobrança de impostos de importação. Segundo empresários brasileiros, isso acarretaria perda de arrecadação para o país.

Acredita-se que muitos estabelecimentos de comércio eletrônico se passem por pessoas físicas para burlarem a cobrança de impostos.

Governo prepara MP

De acordo com a Receita Federal, a taxação deve ocorrer por meio de uma medida provisória (MP) que está sendo preparada pela equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por se tratar de MP, a norma terá força de lei e vigência imediata, precisando ser referendada pelo Congresso em até 120 dias para ser definitivamente convertida em regra. A medida, altamente impopular em razão da possibilidade de transferência dos custos para o consumidor, deve sofrer resistências.

A ação pode aumentar a arrecadação federal em até R$ 8 bilhões por ano, segundo estimativa da Fazenda, e integra o pacote de medidas do ministro Haddad para aumentar a arrecadação e viabilizar as metas de resultado das contas públicas previstas no novo arcabouço fiscal.