Queda da taxa Selic melhora condições para financiamento de imóvel
Com taxa básica a 2% ao ano, bancos reduzem taxas de contratos habitacionais e estimulam clientes que desejam comprar ou trocar de cas

O momento vivido pela economia pode até gerar incertezas, porém, é fato que o mercado da construção civil tem vivido um período de otimismo impulsionado pelo sonho da casa próprio sempre alimentado entre os brasileiros.
Para se ter uma ideia, aproximadamente 43% dos brasileiros pretendem comprar um imóvel nos próximos três meses, revela a pesquisa Raio-X Fipe. Trata-se do maior percentual já registrado pelo estudo desde 2014. No primeiro trimestre, a intenção de compra era de 36%. “Entre os fatores que podem explicar o aumento na intenção de compra, pode-se destacar a redução das taxas de juros do crédito imobiliário, a expectativa de queda nos preços, o aumento no número de lançamentos, bem como a recuperação da atratividade dos imóveis como alternativa de investimento”, registra relatório do estudo.
Aproximadamente 88% dos compradores em potencial afirmam que a intenção é comprar uma casa para morar, enquanto os 12% restantes planejam usá-lo para obter renda com aluguel ou revenda. Apesar de as construtoras apresentarem cada vez mais lançamentos ao mercado, o destaque tem sido para a compra de usados. Do total de consumidores que afirmaram ter adquirido um imóvel nos últimos 12 meses, 68% optaram por unidades usadas.
Poder de compra
Um fator que influencia diretamente na intenção de compra é a percepção de preço. Enquanto 78% dos entrevistados responderam em 2015 que os valores estavam “altos ou muito altos”, esse percentual caiu para 60% cinco anos depois. Já aqueles que acreditava que os preços estavam em um nível razoável foram de 15% para 30% no mesmo período.
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Ver todasSegundo ela, enquanto em 2015 as taxas de financiamento giravam em 14% ao ano, atualmente, os contratos praticam taxas médias de 6,99% – que ainda podem ser menores, a depender do banco ou do relacionamento do cliente com a instituição. “Para se ter uma ideia, ao considerar um financiamento de R$ 550 mil com 20% de entrada, o consumidor pagaria uma prestação de R$ 5.500 a R$ 6.000. Atualmente, com essa mesma parcela é possível conseguir valor de R$ 800 mil em financiamento”, compara.
Além de ter a possibilidade de adquirir um imóvel melhor, o comprador vê uma economia no montante final pago junto ao banco. Por exemplo, ao adquirir um apartamento de R$ 250 mil (80% do valor financiado a um prazo de 20 anos) com a média de juros cobrados pelo mercado em 2016, o valor total pago pelo imóvel no fim do período seria de, aproximadamente, R$ 444 mil. Já considerando as taxas de juros praticadas hoje, esse montante cairia para pouco mais de R$ 350 mil. Ou seja, uma diferença de quase R$ 94 mil.
Yslanda Barros conta que, com essa mudança, o perfil do imóvel buscado pelos clientes também sofreu uma alteração. “As pessoas estão procurando espaços maiores, muitas vezes desejam sair de um apartamento e se mudar para condomínios. Acredito que isso seja reflexo da pandemia e da valorização do lugar onde vivem. Hoje os compradores estão dispostos a abrir mão de um apartamento menor, mas bem localizado, para viver um pouco mais distante, com mais espaço”, pontua.



