Petrobras perde R$ 74,2 bi, Bolsa cai quase 5% e dólar fecha a R$ 5,45

Indicadores respondem às declarações do presidente Bolsonaro de que, após mexer na estatal, vai "meter o dedo na energia elétrica"

atualizado 22/02/2021 20:48

Tânia Rêgo/Agência Brasil

A expectativa de que o mercado financeiro seria abalado nesta segunda-feira (22/2), devido à mudança promovida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no comando da Petrobras, foi confirmada. O Ibovespa fechou o dia em queda de 4,87%, chegando a 112.667,70 pontos. Já o  dólar terminou o dia em alta de 1,30%, a R$ 5,454.

A Petrobras perdeu R$ 74,2 bilhões em valor de mercado nesta segunda, com queda de 20% nas ações negociadas no Ibovespa, segundo a XP Investimentos.

Foi a segunda maior queda diária em valor da mercado da Petrobras desde o início do plano Real. E são quase R$ 100 bilhões perdidos em valor de mercado desde sexta-feira (19/2), quando o mercado começou a reagir às declarações de Bolsonaro sobre a estatal.

Outras estatais listadas em bolsa também registraram queda no valor de suas ações. O Banco do Brasil, por exemplo, perdeu R$ 10,5 bilhões somente nesta segunda. Os papéis da instituição financeira fecharam em queda de 11,65%.

O mercado especula que Bolsonaro possa trocar o atual presidente do banco, André Brandão, com quem vem se estranhando nos últimos tempos.

Os resultados dos indicadores respondem às declarações do presidente Bolsonaro de que, depois da Petrobras, vai “meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema”, indicando mais interferência do governo nas empresas públicas. As ações da BR Distribuidora terminaram em queda de 7,22%.

Tubarão em vez de bagrinho

Apesar da promessa feita nesse domingo (21/2), que seu próximo alvo será um “tubarão” e não um “bagrinho”, o presidente não anunciou nenhuma nova troca até este momento.

Pela manhã, ele justificou a demissão de Castelo Branco da Petrobras alegando que o executivo trabalha de home office, tem alto salário e falta de transparência nos dados da empresa.

Bolsonaro ficou incomodado com os excessivos reajustes de combustível anunciados pela petroleira neste ano.

Para a vaga, ele indicou o general Joaquim Silva e Luna, atualmente diretor da Itaipu. O nome dele deve ser analisado pelo Conselho da Petrobras nesta terça-feira (23/2).

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