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Economia

Perdendo para inflação, poupança deve encerrar 2022 com saque recorde

No acumulado de janeiro a outubro, as contas na caderneta registraram saque de R$ 102 bilhões

08/11/2022 11:16, atualizado 08/11/2022 13:24
Marcos Santos/Usp Imagens
Perdendo para inflação, poupança deve encerrar 2022 com saque recorde

As contas da poupança tiveram o pior mês de outubro da série histórica, com um saldo negativo de R$ 11 bilhões. No ano, os saques superam os depósitos em mais de R$ 102 bilhões, o que faz com que 2022 caminhe para ser, de longe, o pior ano para a caderneta na história. A marca pertencia ao ano de 2015, quando a poupança registrou saques na ordem de R$ 53 bilhões.

A corrida para resgatar os recursos tem a ver com dois fatores: a inflação e os juros. No acumulado de 12 meses, o rendimento da poupança ainda perde para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), principal indicador inflacionário do país. Enquanto os preços avançaram 7,17% de setembro a 2021 a setembro de 2022 (último dado disponível do IPCA), a poupança rendeu 6,72%. A diferença melhorou ao longo dos últimos meses, em razão da trégua da inflação, mas segue desfavorável para os investidores.

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Na prática, deixar dinheiro parado na caderneta significa perder poder de compra, uma vez que os preços estão avançando a um ritmo superior da valorização da aplicação.

Inflação e juros

O outro fator que está influenciando o fluxo de retiradas é a dinâmica de juros. A taxa básica de juros, a Selic, está em 13,75% ao ano. Além de ser base para o cálculo do custo do crédito no Brasil, a Selic é espelho para o CDI, indicador que corrige aplicações de renda fixa, como CDB, LCI, LCA, títulos públicos e vários outros.

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Para efeito comparativo, enquanto a poupança rendeu magros 6,72% ao ano nos últimos 12 meses, o CDI avançou 11,3% no mesmo período – praticamente o dobro da caderneta.

Bruno Mori, economista e sócio da Sarfin, explica que o rendimento da poupança não é tributado, enquanto o retorno das aplicações de renda fixa sofrem um desconto de até 22,5% de Imposto de Renda, a depender do prazo de resgate. Mesmo assim, diz o economista, vale a pena trocar a caderneta por outra aplicação.