"PEC não cria compromisso com limite de gastos", diz Elena Landau
Para a economista, a versão da medida aprovada na CCJ do Senado também fixa um valor acima do necessário para gastos sociais

A versão da PEC da Transição aprovada nesta terça-feira (6/12), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, traz valores elevados e não cria um compromisso efetivo com as regras fiscais. Ou seja, não estabelece normas que fixem limites para os gastos públicos. Essa é a opinião da economista Elena Landau, que coordenou a área econômica do plano de governo da candidata Simone Tebet (MDB-MS) nas eleições presidenciais.
A medida que recebeu o aval da CCJ prevê uma elevação do teto de gastos de R$ 145 bilhões por dois anos. Cria espaço ainda para R$ 23 bilhões em investimentos, caso ocorra um “excesso de receita”. O impacto da proposta sobre as contas públicas, portanto, pode chegar a R$ 168 bilhões.

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Ver todasElena considera tais valores elevados. “Eles estão muito acima do que é necessário para executar programas como o Bolsa Família de R$ 600 reais”, diz. Para ela, os gastos adicionais previstos na PEC deveriam ser “certamente inferiores a R$ 100 bilhões”.
A medida aprovada pelos senadores estabelece ainda que o governo eleito deverá definir uma nova regra fiscal até meados de 2023. Nesse caso, o novo limite para despesas públicas substituiria o teto de gastos, criado e 2016, no governo Temer. “O problema é que a PEC não estabelece um compromisso, ou mesmo, uma punição caso isso não aconteça”, diz Elena. “Essa questão ficou muito vaga”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesUma vez aprovada na CCJ, a PEC da Transição será colocada em votação no plenário do Senado, onde precisa do apoio de três quintos dos parlamentares (isso significa 49 dos 81 votos). Depois disso, a medida segue para avaliação na Câmara dos Deputados.



