INSS: pedidos passam de 2 mi e governo tenta encurtar fila de espera

O desempenho da fila de espera do INSS ultrapassou os 2 milhões de requerimentos devido ao número de pedidos repetidos, segundo o MPS

atualizado

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1 de 1 imagem colorida de agência do INSS precatórios BPC - Metrópoles - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

A fila para concessão de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou dos 2,04 milhões de requerimentos em 2024. Essa foi a primeira vez que o número ultrapassou os dois milhões durante o governo Lula (PT).

Encurtar a fila do INSS é uma das promessas do ministro da Previdência, Carlos Lupi. Anteriormente, ele informou que o objetivo do governo federal era reduzi-la para 30 dias. Atualmente, o tempo de espera está em 42 dias.

Em entrevista ao Metrópoles, em dezembro do ano passado, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, disse que o compromisso só deveria ser cumprido em 2025. De acordo com Stefanutto, a fila cresceu em 2024 devido a fatores inesperados.

Um dos fatores que impulsionou o aumento na fila de espera foi a greve de servidores do órgão, vinculado ao Ministério da Previdência Social (MPS). Além disso, a incorporação do Atestemed, que ajudou a reduzir os gastos previdenciários, ampliou os pedidos.

Segundo dados do Portal da Transparência Previdenciária, organizado pelo Ministério da Previdência, a fila de espera passou da casa dos 2 milhões devido ao número de pedidos repetidos.

Os 2,04 milhões de requerimentos foram divididos em:

  • 1.014.981 referentes ao estoque previdenciário total;
  • 407.062 relativos ao estoque assistencial;
  • 317.092 requerimentos em exigência com o segurado; e
  • 302.881 requerimentos reiterados (pedidos repetidos).

O documento, referente a dezembro de 2024, só foi publicado em abril. Os dados sobre os requerimentos não contabilizam os pedidos feitos em janeiro, fevereiro e março. Em 2023, a fila estava em 1,5 milhão.

A fila do INSS atingiu pico em junho de 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro (PL), quando chegou a 2,4 milhões.

O tempo médio de espera na fila de análise dos requerimentos passou de 39 dias para 42 (líquido). Assim, se aproxima da marca de março de 2024. O recorde registrado foi em julho de 2024, com 34 dias.

Motivos para indeferimento

Segundo o INSS, os principais motivos para negativa dos requerimentos são:

  • Incapacidade para o trabalho ou atividade desempenhada não comprovada na perícia médica.
  • Não atende ao critério de deficiência para acesso ao BPC-LOAS.
  • Renda familiar mensal acima de ¼ do salário-mínimo por pessoa (jan/24 R$ 353 cada).
  • Requerente não filiado ao RGPS na data de afastamento.
  • Não tem tempo ou idade suficientes para a concessão do benefício após a reforma da previdência.
  • Não comprovação do vínculo de companheira(o).

Medidas para reduzir a fila do INSS

Desde meados do ano passado, o governo federal intensificou ações para encurtar a fila do INSS. Após o número ultrapassar dois milhões, o MPS e o INSS disseram que “estão tomando medidas para que os requerimentos sejam analisados em menor tempo”.

Entre as principais medidas estão: a nomeação de candidatos aprovados no concurso de 2022, a simplificação da linguagem e do requerimento pelo “Meu INSS”, força-tarefa para análises e a realização de mutirões visando a redução do estoque.

Confira todas ações implementadas:

  • Atestemed, que permite o envio de atestados médicos via on-line.
  • Mutirões de atendimento.
  • Contratação de novos servidores.
    Simplificação de procedimentos.
  • Prazos reduzidos para casos administrativos e para a realização de perícia médica.
  • Uso de inteligência artificial (IA) para monitorar o tempo médio de análise.

Vale lembrar que, no ano passado, a equipe econômica do governo federal fez um pente-fino nos gastos com benefícios sociais. O governo propôs uma revisão nos cadastros de pessoas que não poderiam receber os benefícios e estavam recebendo indevidamente.

Os principais itens que vão contribuir para a economia na previsão do governo são:

  • Revisão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, com economia estimada em R$ 6,4 bilhões, sendo R$ 4,3 bilhões com a atualização do CadÚnico e R$ 2,1 bilhões com a reavaliação pericial.
  • Revisão do benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com economia estimada em R$ 7,3 bilhões, dos quais R$ 6,2 bilhões virão do Atestmed (sistema virtual para pedido simplificado do auxílio-doença por meio de análise documental, sem exigir perícia médica) e R$ 1,1 bilhão de medidas cautelares e administrativas.
  • Reavaliação dos benefícios por incapacidade (antigo auxílio-doença) — economia estimada: R$ 3,2 bilhões.

Somados os benefícios pagos pelo INSS com o auxílio-doença, a economia da Previdência fica na ordem de R$ 10,5 bilhões.

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