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A Fitch aponta que a dívida do governo do Brasil deve continuar a crescer. Segundo a agência, a dívida do governo geral do país deve atingir 76% do Produto Interno Bruto (PIB) no fim deste ano, quando a mediana dos países com ratings BB é de cerca de 45%, e avançar para perto de 80% em 2018, “o que erode o espaço fiscal para enfrentar choques futuros”.

A agência vê o ambiente político brasileiro como “desafiador”. Segundo ela, as alegações de corrupção contra o presidente Michel Temer “parecem ter erodido o capital político e o apoio dele no Congresso, o que torna a aprovação da reforma previdenciária mais difícil”. Com isso, há incerteza sobre que tipo de reforma pode passar, especialmente porque a janela de oportunidade para avançar no assunto diminui, graças ao ciclo eleitoral, sustenta a agência.

A eleição para presidente e para o Congresso em 2018 pode gerar incertezas, diante do panorama eleitoral fragmentado, da menor confiança nas instituições e das investigações em andamento da Lava Jato. “A orientação política do próximo governo ganha importância no contexto dos grandes desequilíbrios fiscais do Brasil e da dinâmica adversa da dívida, o que irá requerer austeridade sustentada e reformas para apoiar a confiança, o crescimento e reduzir as preocupações sobre a sustentabilidade da dívida pública no médio prazo, avalia a Fitch.

Para a agência, alguns dos desequilíbrios macroeconômicos do Brasil continuam a recuar, o processo de desaceleração inflacionária ganha força e as expectativas estão bem ancoradas, em torno da meta do banco central para 2018 e 2019, o que mostra um ganho de credibilidade para o BC. A Fitch espera o fim do ciclo de relaxamento monetário no fim deste ano no País.

A Fitch afirma ainda que o déficit em conta corrente atual se ajusta de maneira significativa com suas projeções. Segundo ela, o déficit deve ficar abaixo de 1% do PIB em 2017 e seguir abaixo de 2% do PIB no período da previsão. O déficit em conta corrente recuou cerca de 80% durante os primeiros nove meses deste ano, em comparação com igual período do ano passado, diante dos maiores superávits comerciais. Além disso, o investimento estrangeiro direto segue resistente. “A posição das reservas internacionais do Brasil segue forte e o banco central reduziu significativamente o estoque de swaps cambiais, o que dá ao País espaço para enfrentar choques externos”, diz a agência.

 

 

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