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Economia

Falta de reformas pode elevar taxa de juros, afirma presidente do BC

Nessa segunda-feira (10/1), o presidente Jair Bolsonaro admitiu que reformas econômicas não devem avançar em 2022

11/01/2022 17:48
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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, fala em comissão no Senado Federal durante sua sabatina. No detalhe ele ouve a pergunta de um senador, diante de microfone - Metrópoles

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto (foto em destaque), ressaltou que as reformas seguem sendo essenciais para o crescimento da economia e para a não elevação da taxa de juros do país.

O recado foi dado em carta enviada ao ministro da Economia, Paulo Guedes, nesta terça-feira (11/1), ao explicar o estouro do teto da meta da inflação.

Na noite dessa segunda-feira (10/1), o presidente Jair Bolsonaro (PL) admitiu que as reformas econômicas que tramitam no Congresso Nacional não devem avançar em 2022, em razão da proximidade com as eleições.

“A gente gostaria que a reforma administrativa avançasse, por exemplo, mas eu tenho sete mandatos de deputado federal e esses anos em que existem as eleições para presidente, para senadores, para deputados também são anos difíceis, não tem negociação”, disse o chefe do Executivo Federal, em entrevista à Jovem Pan.

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Em três anos de governo Bolsonaro, contudo, apenas a reforma da Previdência – entre as grandes prometidas na área econômica – foi aprovada.

As reformas administrativa e tributária, entretanto, não foram aprovadas, apesar de discutidas.

Campos Neto afirmou que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reiterou que o “processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira segue sendo essencial para o crescimento sustentável da economia”.

“Eventual esmorecimento no esforço de reformas estruturais e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, disse.
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Meta da inflação

O envio da carta é consequência do Decreto 3.088, de junho de 1999. As explicações devem ser dadas sempre que a inflação no ano ultrapassar o teto da meta, como aconteceu no ano passado, ou ficar abaixo do piso.

Em 2021, o alvo central da meta para a inflação era de 3,75%, com margem de tolerância que ia de 2,25% até o limite de 5,25%.

A inflação terminou o ano passado, porém, em 10,06%, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça.

O presidente do Banco Central atribuiu o estouro da meta de inflação em 2021 a uma mistura de fatores: criação da bandeira de energia elétrica de escassez hídrica, alta das commodities e falta de insumos para as cadeias de produção.