BC culpa crise hídrica e falta de insumos por inflação acima da meta

Presidente do banco divulgou, nesta terça-feira, carta aberta enviada ao ministro da Economia, Paulo Guedes, conforme determina a legislação

atualizado 11/01/2022 18:24

O economista Roberto de Oliveira Campos Neto, indicado pela presidência da República para o cargo de presidente do Banco Central, durante sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do SenadoMarcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, atribuiu o estouro da meta de inflação em 2021 a uma mistura de fatores: criação da bandeira de energia elétrica de escassez hídrica, alta das commodities e falta de insumos para as cadeias de produção.

Campos Neto enviou uma carta aberta ao presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN), o também ministro da Economia, Paulo Guedes, para justificar por que a inflação terminou o ano passado em 10,06%, quase o dobro do teto da meta do ano – 5,25%.

Em 2021, o alvo central da meta para a inflação era de 3,75%, com margem de tolerância entre 2,25% e o limite máximo de 5,25%.

O envio da carta é consequência do Decreto nº 3.088, de 21 de junho de 1999. A norma estipula que explicações devem ser fornecidas sempre que a inflação no ano ultrapassar o teto da meta, como aconteceu no ano passado, ou ficar abaixo do piso.

Campos Neto explica que os principais fatores que levaram a inflação em 2021 a ultrapassar o limite superior foram:

  1. forte elevação dos preços de bens transacionáveis em moeda local, em especial os preços de commodities;
  2. bandeira de energia elétrica de escassez hídrica; e
  3. desequilíbrios entre demanda e oferta de insumos, e gargalos nas cadeias produtivas globais.

“O fraco regime de chuvas levou ao acionamento de termoelétricas e de outras fontes de energia de custo mais elevado durante a segunda metade de 2021, resultando em aumento expressivo das tarifas de energia elétrica”, relatou o presidente do BC.

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Em setembro, foi criada a bandeira escassez hídrica, o que causou aumento de 49,6% sobre a bandeira anterior.

Como providência, Campos Neto assegurou que o BC tem calibrado a taxa básica de juros (Selic) “e continuará a fazê-lo, com vistas ao cumprimento das metas para a inflação estabelecidas pelo CMN”.

“O Copom [Comitê de Política Monetária] considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista. O comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, assinalou o executivo.

Leia a íntegra do documento:

OF_CIO_823_2022_BCB_SECRE_01 by Tacio Lorran Silva on Scribd

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