Especialistas avaliam apostas para a Bolsa de Valores em 2021

Taxa Selic deverá se manter baixa, o que atrai investimento à Bovespa. Reformas e pandemia deixam dúvidas nos investidores

atualizado 08/01/2021 12:09

Michael Melo/Metrópoles

Apesar da crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus, a Bolsa de Valores brasileira, a B3, encerrou 2020 com uma pequena alta de 2,92%.

O Ibovespa, índice que mede as ações na bolsa brasileira, fechou, no acumulado, todos os meses com variação negativa, com exceção de dezembro.

Porém, o ano de 2021 – como qualquer outro–, é incerto, mesmo com a crise sanitária ter apresentado uma luz no fim do túnel com a chegada da vacina contra o vírus.

Dessa maneira, em meio a esse sobe e desce no mercado de ações, investidores se questionam sobre as expectativas para a Bolsa de Valores em 2021.

Nesse sentido, o Metrópoles consultou uma série de analistas e planejadores financeiros para entender onde e como investir na B3 ao longo deste novo ano.

Taxa Selic

O sócio da Monte Bravo Investimentos Bruno Madruga avalia que uma das principais razões para apostar na Bolsa é a baixa taxa de juros básica, a taxa Selic.

Hoje, a taxa Selic está em 2% ao ano, o menor nível de toda a série histórica. Com isso, investimentos considerados conservadores perdem rentabilidade e, portanto, atração.

“De fato, existe possibilidade de elevação da taxa Selic em 2021, mas isso deve acontecer apenas no segundo semestre. E a previsão é para 3% ou 3,5%, o que é uma taxa de juros bastante baixa”, afirma.

“Os investimentos em ações parecem interessantes. Mas com certeza tem o seu risco. Estamos falando de renda variável, então existe essa variação diária”, completa.

Contra fluxo não há argumentos

O CEO da Invisto Venture Capital, Marcelo Amorim, destaca pelo menos dois pontos ao avaliar as previsões para o mercado durante este ano.

O primeiro deles é que a Bolsa de Valores brasileira já retomou o patamar anterior à crise da pandemia, mas ainda não é possível saber se atingiu o pico.

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Ele explica que quando o dólar entra no país (por causa de investimentos, por exemplo) e apresenta um fluxo positivo, o índice tende a se manter em um nível alto.

“Então, se o fluxo permanecer ativo e constante em 2021, a Bolsa brasileira deverá ter uma valorização importante no ano”, afirma o especialista.

Em seguida, Amorim diz ser necessário, sobretudo para quem está começando agora, apostar em empresas tradicionais que mantêm papéis sólidos de investimento.

Cautelosamente otimista

Por sua vez, Tiago Franco, da Vertical de Investimentos da ABFintechs, ressalta que, apesar da baixa taxa de juros, 2021 ainda tem um cenário de muitas incertezas.

“A gente tem algumas dúvidas grandes nos próximos meses, como a questão da vacina para o novo coronavírus”, explica.

Além disso, Franco afirma que é preciso avaliar também se as reformas prometidas pela equipe econômica do governo do presidente Jair Bolsonaro vão sair do papel.

Ele marca também a existência das eleições para presidentes da Câmara e do Senado, e as eleições presidenciais marcadas para outubro de 2022.

“Hoje se tem muito mais risco do que se tinha em dezembro de 2019, por exemplo. No jargão dos investidores, dizemos que estamos cautelosamente otimistas”, conclui.

Onde apostar?

Já o diretor de Operações da IOUU, Eduardo Castro, aposta que as empresas com mais chances de apresentarem alta em 2021 são aquelas que ainda não se recuperaram da crise da pandemia.

“É o caso da infraestrutura, por exemplo. Logística também continua com uma procura grande. E tem o setor de moradias, em que as pessoas estão com essa tendência de trocar de casa”, afirma.

“Já o agro é algo a parte porque a gente vive em uma pressão muito grande do relacionamento externo do país e isso influencia diretamente nos investimentos”, diz.

Longo prazo

Por fim, a planejadora financeira CPF da Planejar Ana Lúcia Soares traça algumas dicas para quem deseja começar agora, pela primeira vez, na Bolsa de Valores.

A especialista diz ser importante ter um planejamento financeiro e calcular o quanto ela pode investir no curto, médio e longo prazo, sem comprometer a renda da pessoa.

“É importante ter em mente que a Bolsa é um investimento muito mais de longo prazo do que de curto ou médio prazo”, pontua a planejadora financeira.

“Logo, é preciso evitar tirar o investimento em hora errada”, complementa, ao ressaltar que um investimento de longo prazo dura pelo menos 720 dias.

Para evitar perdas, Ana Lúcia explica que a diversificação dos investimentos dentro da carteira faz com que se siga uma tendência de equilíbrio.

“Então, quando um ativo não está tão satisfatório, outro pode estar”, finaliza.

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