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Economia

Dólar e Bolsa andam de lado com surpresas da inflação no Brasil e nos EUA

Moeda americana subiu 0,23% sobre o real, a R$ 5,15. Ibovespa avançou só 0,01%. Na prática, os indicadores mantiveram-se estáveis na sessão

26/08/2026 17:13
Getty Images
Imagem colorida de maços de notas de dólares americanos, empilhadas umas sobre as outras - Metrópoles

O dólar registrou alta de 0,23% frente ao real, cotado a R$ 5,15, nesta quarta-feira (26/8). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou com variação mínima de alta de 0,01%, mantendo-se aos 174,5 mil pontos. Como as variações foram pequenas, os dois indicadores permaneceram estáveis ao final da sessão.

Os mercados de câmbio e ações no Brasil acompanharam o movimento global. Às 17h05, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas (como o euro, o iene e a libra esterlina), subia 0,25% (percentual próximo à alta do dólar no Brasil), aos 99,15 pontos.

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O Ibovespa também acompanhou os principais índices americanos. Às 16h30, as altas em Wall Street eram modestas: de 0,15%, no S&P 500, e de 0,09%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia. O Dow Jones caía 0,12%. Ou seja, todos também oscilavam próximos à estabilidade.

Os preços do petróleo anotaram pequenas variações, mas com quedas. Com isso, a atenção dos investidores concentrou-se na divulgação de dados sobre a inflação no Brasil e nos Estados Unidos.

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Alta nos EUA

No caso americano, o Índice de Preços de Gastos de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), a medida de inflação preferida pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), subiu 0,2% em julho, em linha com a expectativa do mercado.

Em 12 meses, porém, o índice acelerou para 3,7%, acima do esperado pelos analistas (3,6%). Já o núcleo da inflação, que exclui itens voláteis (alimentos e energia, no caso), subiu 0,2% no mês, com a leitura anual em 3,3%, acima da projeção de 3,2%.

Para Vitor Kayo, economista da Nomad, o resultado do PCE mostra que a inflação segue rodando acima da meta de 2% do Fed, com o núcleo mantendo um ritmo elevado na comparação anual. “Como o resultado não trouxe surpresas, ele não deve alterar a leitura do mercado, que segue apostando em manutenção de juros nos EUA em setembro, com uma possível alta em outubro ou dezembro”, diz.

Queda no Brasil

No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), a “prévia da inflação” oficial, caiu 0,40% em agosto. Os analistas, porém, esperavam uma queda menor: de 0,30%.

Para a corretora Warren Rena, o IPCA-15 de agosto trouxe uma surpresa baixista concentrada em componentes voláteis e temporários, principalmente passagens aéreas, alimentos in natura e energia elétrica.

“A leitura qualitativa, contudo, não mostrou melhora relevante: serviços relacionados a automóveis e condomínio vieram mais pressionados, e as medidas dessazonalizadas ficaram entre estabilidade e alguma aceleração”, diz a corretora. “O principal ponto de atenção continua sendo os serviços intensivos em mão de obra, cuja inflação anualizada permanece próxima de 7%.”

Análises

João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa, observa que o Ibovespa chegou a subir quase 1% pela manhã, mas o PCE americano acima do esperado e a alta dos títulos da dívida dos Estados Unidos, os Treasuries, pesaram ao longo do dia.

Rafael Dadoorian, especialista em renda fixa da mesma corretora, acrescenta que os juros futuros operam mistos nesta quarta-feira, depois de o IPCA-15 registrar deflação maior que a esperada em agosto. “A ponta curta recuou, enquanto os vencimentos intermediários e longos avançaram, num movimento de ajuste ao longo da sessão”, diz o analista.