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Após se expandir rapidamente, a Avianca no Brasil enfrenta dificuldades para pagar fornecedores, cumprir obrigações com concessionárias de aeroportos e pode ter de devolver aviões. O Estado apurou que a dívida com todos os aeroportos brasileiros, públicos e privados, chega a quase R$ 100 milhões – só com o de Guarulhos são R$ 25 milhões. Nem todos os débitos foram protocolados na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Nesta semana, uma decisão da Justiça de São Paulo obriga a Avianca a devolver 11 aviões – o equivalente a 18% de sua frota – para a Constitution Aircraft, subsidiária da americana Aircastle, de aluguel de aeronaves. A aérea, no entanto, pode recorrer.

Outras duas aeronaves arrendadas pela Avianca são alvo de disputa na Justiça por falta de pagamento. A empresa afirma que entrou em acordo com o fornecedor para devolvê-las.
Como mostrou o Metrópoles, oficiais de Justiça cumpriram decisão da 31ª Vara Cível em favor de uma das credoras da empresa aérea, a Boc Aviation Limited no aeroporto de Brasília.

Em nota enviada ao portal nesta sexta-feira (7/12), a empresa informa que “a retirada de duas aeronaves de sua frota está em linha com a readequação da malha prevista anteriormente pela companhia, para atender à demanda atual de passageiros.” “A empresa reforça que suas operações não foram ou serão impactadas e seguem normalmente”, completa o comunicado.

A situação da empresa tem afetado o caixa das concessionárias de aeroportos. Em outubro, a GRU Airport, que administra o aeroporto de Guarulhos, protocolou na Anac pedido de intervenção para resolver a inadimplência da Avianca. No documento, ao qual o Estado teve acesso, a concessionária afirmou que estudava medidas passíveis de serem tomadas para punir a operadora. Uma delas seria restringir o embarque de passageiros para voos da companhia pelo aeroporto.

Segundo a Anac, há outras reclamações contra a Avianca. No aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, a dívida chegou a R$ 5 milhões, mas a empresa conseguiu pagar metade do valor.

A agência afirmou que instaurou processo para apurar a conduta da aérea. “Se constatadas irregularidades, a empresa poderá sofrer sanções administrativas, como multas.” Sobre a situação das aeronaves, a Anac afirmou que, até o momento, não recebeu nenhuma solicitação de cancelamento de matrícula contra a operadora Avianca Brasil.

Expansão
A Avianca Brasil vinha crescendo rapidamente. No fim de 2015, tinha 10,5% do mercado doméstico e menos de 1% no internacional. Hoje, a participação no mercado nacional chega a 13,55% e, no internacional, a 7,72% (considerando apenas as empresas brasileiras). No mesmo período, só a Azul ganhou participação de mercado, mas de forma mais modesta, passando de 17,1% para 18,8% no segmento doméstico.

Uma fonte do mercado lembra que empresas aéreas demandam grande volume de recursos para crescer. A Azul, por exemplo, foi à Bolsa no ano passado para levantar R$ 2 bilhões. Na Avianca, no entanto, não houve nenhuma grande injeção de capital.

No trimestre encerrado em junho, a companhia captou R$ 130,7 milhões em empréstimos com os bancos ABC, Daycoval, Safra e Fibra, com vencimentos entre 2018 e 2021. Assim, o volume de financiamentos, que no fim de 2017 somava R$ 194 milhões, chegou a R$ 306 milhões seis meses depois, aponta relatório entregue à Anac.

No documento, a empresa afirma que tem conseguido aumentar suas receitas, mas não o suficiente para compensar as altas no preço do combustível e a variação cambial. Diz ainda que está controlando os gastos e que pretende recorrer ao mercado para estender o prazo dos empréstimos. Do total da dívida financeira, apenas 22,7% vence em 2021, o restante, até 2019.

Procurada, a Avianca pontuou que negociações com credores “fazem parte da rotina de qualquer empresa para otimização de resultados” e negou a possibilidade de entrar em recuperação judicial. Informou ainda que as contas com os aeroportos estão em dia. A concessionária GRU Airport, que administra o aeroporto de Guarulhos, não respondeu.

Em uma atualização da nota enviada na manhã sexta-feira (6) ao portal, a empresa informa ainda:

“A Avianca Brasil informa que as negociações com seus fornecedores de leasing fazem parte de um processo de adequação da sua frota à atual demanda de passageiros. A empresa reforça que está reestruturando sua malha e se ajustando ao cenário atual do País.

Assim, a redução de aeronaves está prevista e planejada desde agosto de 2018. A companhia ainda informa que pretende, em linha com a readequação de sua frota, entregar oito aeronaves que já não estão sendo consideradas em sua malha.

Por isso, a companhia reforça que suas operações seguem normalmente e não estão, nem serão impactadas, e que a malha programada será cumprida integralmente. Ou seja, a empresa continuará atendendo todos os destinos oferecidos.

Por fim, a Avianca Brasil também informa que está totalmente em dia com o pagamento dos aeroportos onde opera nacional e internacionalmente.”