BC eleva taxa básica de juros para 6,25%, a maior em dois anos

Medida busca controlar a inflação, que no acumulado dos últimos 12 meses já chegou a 9,68%, conforme o IPCA

atualizado 22/09/2021 19:55

Os valores das tarifas, quando cobrados, deverão ser informados nos extratosIgo Estrela/Metrópoles

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (22/9), elevar pela quinta vez seguida a taxa básica de juros (Selic). O aumento foi de um ponto percentual, o que fez o indicador passar de 5,25% para 6,25% ao ano. Com a alta, a taxa atinge o maior patamar desde julho de 2019.

A medida busca controlar a inflação, que no acumulado dos últimos 12 meses já chegou a 9,68%, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto. A expectativa do mercado é de que a taxa continue em alta nos próximos meses. A tendência, portanto, é os juros também avançarem.

Analistas estimam que a Selic crescerá até atingir 8,25% ao ano no fechamento de 2021. O instrumento é utilizado pelo BC para conter o aumento de preços.  Dessa forma, o Copom consegue ancorar as expectativas. “É importante frisar, no entanto, que as ações do Banco Central não poderão ser sentidas neste ano. Leva um tempo para que elas sejam transpostas para a economia real”, afirma o economista Igor Lucena.

O especialista também chama a atenção para a possibilidade de atração de investimento estrangeiro ao país. “O aumento na taxa Selic, em tese, deve fazer com que o país tenha um aumento na entrada de dólares. Isso deve fazer com que a moeda americana caia. O cenário se torna propício para operações no Brasil”, explica.

A valorização do real frente ao dólar também é essencial para o controle da inflação. Isso porque a moeda norte-americana tem impacto direto sobre o preço das commodities, como a gasolina e o diesel.

Em agosto, o grupo de transportes se tornou o de maior impacto no orçamento doméstico na composição do IPCA e superou, inclusive, o custo com alimentação. O grupo respondeu por 20,87% do indicador, enquanto a alimentação, por 20,83%.

A gasolina subiu 2,8% e teve o maior impacto individual (0,17 p.p.). Etanol (4,5%), gás veicular (2,06%) e óleo diesel (1,79%) também ficaram mais caros no mês. O gás encanado (2,70%) e o gás de botijão (2,40%) seguiram a onda de aumentos nos preços. No gás encanado, houve reajustes tarifários em Curitiba e no Rio de Janeiro.

Mais lidas
Últimas notícias