Após queda, produção de carros deve fechar 2022 com alta de 4%
Brasil aumentou exportação e registrou o melhor resultado desde agosto de 2018. Consultor automotivo Nelio Dgrazi comenta mercado

Após ver a produção cair 5% no primeiro semestre, o setor de automóveis espera fechar o ano com um crescimento de 4%. Trata-se de uma previsão menor do que os 9% projetados no início do ano, mas é uma sinalização que 2023 pode ser melhor.
Mesmo enfrentando dificuldades, como fornecimento de insumos, semicondutores e mudança na cadeia global por causa da guerra na Ucrânia, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) está otimista com o cenário para o próximo ano.
Projeções do setor até julho, segundo a Anfavea:
- Licenciamento: 1%
- Exportação: 22,2%
- Produção: 4,1%
De acordo com a associação, cerca de 1,3 milhão veículos foram fabricados nos sete primeiros meses do ano. Em julho, foram vendidas 181.994 unidades, segundo melhor mês do ano, atrás apenas de maio.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesJulho teve o nível mais alto de produção desde novembro de 2020. Foram 218.950 autoveículos produzidos, alta de 7,5% sobre junho e de 33,4% em relação a julho de 2021.
O otimismo aumentou também impulsionado pela nova redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) anunciada pelo governo federal.
Os números, para o setor, afastam o pessimismo registrado no primeiro semestre, quando 1.091.700 veículos foram fabricados — número 5% menor do que as 1.149.100 unidades que saíram de fábrica no mesmo período de 2021.
Exportações aquecem setor
A Anfavea frisa que a recuperação das exportações, impulsionada pela crise na Argentina, aqueceu o mercado.
O Brasil aumentou a exportação de veículos para Colômbia, Chile, Peru, México e Uruguai. Foram ao todo, 246 mil unidades exportadas, sendo 47,3 mil em junho, melhor resultado mensal desde agosto de 2018.
“O crescimento sobre o primeiro semestre de 2021 chegou a 23%. Em valores exportados, a alta já é de 33,7%, em função dos embarques de autoveículos de maior valor agregado”, explica a associação.

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Quem acompanha o setor explica que a pandemia impactou negativamente todo o mercado automotivo em 2020, já 2021 foi um ano um pouco mais estável para as montadoras.
“Para 2022 estimava-se que seria o ano de retomada mais forte, entretanto no 1° semestre viu-se inúmeras incertezas tanto na oferta quanto na demanda. A expectativa é que no segundo semestre o setor esteja mais aquecido e no início de 2023 tenha um pico maior de crescimento”, explica o consultor automotivo Nelio Dgrazi.
Porém, para as expectativas se concretizarem a situação econômica do país precisa melhorar. “A partir de 2023, a expectativa é que a taxa de juros seja reduzida e feche o ano em torno de 9%, acompanhando o movimento de queda nas taxas de inflação, o que deve favorecer o mercado de crédito e os investimentos, criando um cenário favorável ao mercado automobilístico”, conclui.
Crise dos condutores
Tratando-se de desafios da indústria automotiva para 2023 espera-se ainda falta de semicondutores, de peças e de contêineres, além da alta cotação do dólar que desfavorece o comércio de importados.
A atual crise de escassez global de chips semicondutores que se arrasta desde 2020 não deve voltar a um equilíbrio ainda neste ano, segundo o consultor, voltando apenas em 2023 a apresentar uma melhora significativa no cenário.


















