Criptomoedas e tokenização: como a economia do futuro mudará nossa vida

Dinheiro digital é a principal tendência do mercado. Analistas Tasso Lago e Jader Nogueira falam ao Metrópoles sobre os desafios e riscos

atualizado 18/08/2022 20:41

ilustração de moedas Bitcoin da cor dourada Getty Images

O dinheiro físico, confeccionado em papel e em metal, certamente não deixará de existir. Contudo, o surgimento de novas tecnologias tem modificado a forma como a economia e o mercando financeiro se comportam. Dois termos têm ganhado notoriedade: criptomoedas e, mais recentemente, tokenização.

Essas formas de lidar com o dinheiro vão impactar diretamente a vida das pessoas e a economia global. O Metrópoles reuniu especialistas para discutir quais são os riscos, as deficiências do Brasil e no que o consumidor deve estar atento.

Na última semana, grandes empresas como a empresa de investimentos XP, o banco BTG Pactual  e o aplicativo de pagamentos PicPay anunciaram investimentos em serviços de criptomoedas.

Na esfera governamental, o Banco Central iniciará testes com Real Digital, versão eletrônica do real, já no próximo ano. Se tudo sair como o planejado pela autoridade monetária, a moeda será lançada em 2024.

Entenda o que é tokenização e criptomoedas:

  • Tokenização: é transformar qualquer ativo do mundo físico, como um bem, produto ou mercadoria, em um ativo completamente digital. O movimento cria uma nova forma de negociar ativos tradicionais do mercado financeiro, como ouro, petróleo, commodities e imóveis.
  • Criptomoedas: são moedas digitais, que só existem na internet. Não existe um órgão ou governo responsável por controlar, intermediar e autorizar emissões de moedas, transferências e outras operações. Ela operam num sistema chamado blockchain, que permitem o envio e o recebimento de alguns tipos de informação.

Durante evento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, frisou ao mercado que o Brasil está vivendo um processo de tokenização da economia iniciado com o Pix, passando pelo open finance (compartilhamento padronizado de dados sobre produtos, informações financeiras e serviços pelas instituições) e que chegará na moeda digital brasileira.

“Estamos bastante avançados nessa jornada em direção a um sistema financeiro mais integrado e mais digital”, afirmou o executivo, durante uma das mais concorridas palestras do evento”, frisou durante o evento.

Caminho sem volta

O analista Tasso Lago, especialista em gestão de fundos privados de criptomoedas e fundador da Financial Move, explica que o uso de criptomoedas e a tokenização da economia são tendências que não perderão força.  “Esse é o mecanismo mais eficiente em termos de uso financeiro e que possibilita mais pessoas terem acesso a possibilidade de investimento tornado o capital mais liquido e barato”, defende.

Para ele, o Brasil precisa criar leis que regulem o setor e fortaleçam a fiscalização. “O desafio do país é a legislação que é morosa. Com isso, diversos investimentos são feitos fora do país em criptomoedas”, pondera.

Legislação

O projeto de lei 3.825/2019, aprovado no Senado e que aguarda análise da Câmara, propõe, entre outros pontos, a regulamentação dos criptoativos, a regulamentação de prestadoras de serviços de ativos digitais e penalidades para crimes.

O analista e educar financeiro Jader Nogueira, especializado em investimentos e curto prazo no mercado financeiro, é categórico: a modernização qualifica o setor, o que atrai mais investidores.

“Com a aprovação dessa lei o Brasil terá muito a ganhar, pois as portas estariam sendo abertas para os maiores e mais qualificados investidores do Brasil e do mundo. A legalização do criptomercado será fundamental”, resume.

Desde agosto de 2019, operações com criptoativos precisam ser declaradas à Receita Federal.

Os números do setor, segundo a Receita Federal:

  • O número de pessoas físicas envolvidas no mercado de criptomoedas quase dobrou, passando de 186.721, no primeiro mês da obrigatoriedade, para 325.066 em fevereiro deste ano.
  • Já o número de pessoas jurídicas quase quadruplicou, indo de 2.261 para 8.591 no mesmo período.
  • A movimentação do setor cresceu 120%, saltando de R$ 91,4 bilhões em 2020 para R$ 201,5 bilhões em 2021.
  • Nos dois primeiros meses deste ano, dados mais recentes, o volume alcançou os R$ 23,5 bilhões.

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