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As empresas do setor frigorífico retornam ao centro do noticiário com a Polícia Federal (PF) dando início à terceira fase da Operação Carne Fraca nesta segunda-feira (5/2). Batizada de Trapaça, o alvo dos investigadores são fraudes laboratoriais perante o Ministério da Agricultura.

A nova operação da PF atingiu em cheio os frigoríficos, em especial a BRF. Por volta das 15h40, as ações da empresa donas de marcas como Sadia e Perdigão recuavam 19,10%.

Entre os executivos presos temporariamente nesta nova fase das investigações estão o ex-presidente da BRF Pedro de Andrade Faria, que ficou à frente do conglomerado de 2015 a dezembro do ano passado, e o ex-diretor-vice-presidente da BRF, Hélio Rubens Mendes dos Santos.

A empresa perdeu mais de R$ 3,5 bilhões em valor de mercado nesta manhã, de pouco mais de R$ 25 bilhões no fechamento de sexta-feira para cerca de R$ 21,3 bilhões instantes atrás. A tensão se espalhou pelo setor, pesando também em JBS ON (-4,7%), Minerva ON (-3,1%) e Marfrig ON (-1,58%).

Exportações
Na opinião de analistas, essa nova etapa das investigações deve afetar novamente as exportações brasileiras. A abrangência desse impacto, porém, ainda é difícil de ser avaliada, já que o fato é recente.

Entre as repercussões da notícia, o Ministério da Agricultura já suspendeu os estabelecimentos envolvidos na operação para exportar a países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de salmonela.

Em nota, a PF informou que agentes cumprem 91 ordens judiciais nos Estados do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Goiás e de São Paulo: 11 mandados de prisão temporária, 27 mandados de condução coercitiva e 53 mandados de busca e apreensão. Cerca de 270 policiais federais e 21 auditores fiscais federais agropecuários participam da ação coordenada entre a Polícia Federal e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Ferman, da Elite, ressalta que a operação ocorre no exato momento em que a empresa passa por um momento de conflito interno, com os fundos de pensão dos funcionários da Petrobras e do Banco do Brasil, Petros e Previ, pedindo a destituição do atual colegiado, comandado pelo empresário Abilio Diniz. “Além de o timing ser péssimo, as investigações acabam respingando em todo o setor”, acrescenta.

A pedido dos fundos foi convocada para hoje uma assembleia para tratar do assunto. Na sexta-feira, os fundos de pensão apresentaram chapa com dez nomes para o Conselho de Administração da BRF.