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Após a deflagração da nova fase da Operação Carne Fraca, o Ministério da Agricultura e uma associação de produtores de frango descartaram nesta segunda-feira (5/3) risco à saúde do consumidor brasileiro em decorrência das irregularidades constatadas. Durante a operação, a Polícia Federal descobriu que a companhia BRF – dona das empresas Sadia e Perdigão – alterava análise de peças a serem exportadas, para ocultar a presença da bactéria salmonela. De acordo com o ministério e a associação, é normal haver a bactéria em aves, mas as duas entidades afirmaram que a salmonela é destruída quando a carne passa pelo processo de cozimento. A informação é do site UOL.

“Não houve detecção de algo que represente risco à saúde pública”, disse o coordenador-geral do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do ministério, Alexandre Campos da Silva. Isso porque, segundo ele, a produção para consumo interno do país não foi afetada. No entanto, Campos da Silva admitiu que novas medidas poderão ser tomadas após a conclusão da nova fase da Carne Fraca.

Segundo o Ministério da Agricultura, a presença de salmonela é comum em carne de aves, pois faz parte da flora intestinal desses animais, mas a bactéria é destruída quando submetida a altas temperaturas, como nos processos de fritura e cozimento, e procedimentos adequados de preparo e de consumo minimizam os riscos à saúde.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade representante dos produtores de frangos e de suínos, enviou um comunicado, nesta tarde, afirmando que a presença de salmonela encontrada nas análises de frango brasileiro não provoca danos à saúde do consumidor, afirma o UOL.

Ao consumidor, é importante esclarecer: não há riscos! A investigação se relaciona com as análises de presença do grupo de Salmonella spp., [bactérias] que são destruídas durante o cozimento dos alimentos"
Trecho da nota da Associação Brasileira de Proteína Animal

Segundo a entidade, os problemas constatados na nova fase da operação da PF são “situações ainda em investigação e pontuais”. Ainda, a ABPA alertou para que a operação não repita erros do passado.

BRF
Batizada de Operação Trapaça, a nova fase da Carne Fraca foi desencadeada na manhã desta segunda (5/3) pela Polícia Federal e tem como alvo um esquema de fraudes descoberto na empresa BRF, gigante do setor de carnes e processados. Desde as 6h são cumpridos 91 mandados decretados pela Justiça Federal do Paraná.

Ao todo, há 11 pessoas com ordem de prisão temporária e 27 de condução coercitiva. Os policiais cumprem ainda 53 mandados de busca e apreensão em unidades da BRF. O ex-presidente global da empresa, Pedro Faria, que ficou à frente do conglomerado de 2015 a dezembro de 2017, foi preso nesta manhã.