Dr. Jairinho é afastado do Conselho de Ética da Câmara do Rio

Padrasto de Henry perde cadeira no órgão. Membros pedirão à Justiça o processo para Conselho analisar a representação de pedido de cassação

atualizado 08/04/2021 19:37

Jairinho, indo fazer exame de corpo delito no IML do RioAline Massuca/Metrópoles

Rio de Janeiro – Por unanimidade, o Conselho de Ética da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro decidiu afastar o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido) do órgão, nesta quinta-feira (8/4), em reunião fechada da Casa. O padrasto do menino Henry Borel Medeiros, de 4 anos, e a mãe, Monique Medeiros, foram presos por suspeitas de envolvimento no crime de assassinato.

Eleito em 11 de março, Jairinho foi substituído pelo vereador Luiz Ramos Filho (PMN). Os sete membros decidiram ainda que vão pedir à Justiça cópia do processo sobre a morte de Henry para avaliar representação, com o mínimo de 22 assinaturas, de cassação do mandato de Jairinho por falta de decoro.

Em parecer enviado ao Conselho, o procurador-geral da Casa, José Luis Galamba Minc Baumfeld, informou que o regimento interno determina que “ficará automaticamente afastado do exercício do mandato, a partir do trigésimo primeiro dia, o vereador que tiver decretada a sua prisão por órgão competente”, diz trecho do documento ao qual o Metrópoles teve acesso. O que impede o afastamento imediato do parlamentar.

A vereadora Teresa Bergher insistia pela alteração imediata do regimento, para que o vereador fosse afastado. “Fui voto vencido. Mas vou continuar batalhando para alterar esta regra absurda que diz que o preso só pode ser afastado depois de um mês. Apresentei projeto de resolução para acabar com essa vergonha e vou insistir, bater pé para que seja alterado”, lamentou Teresa

O parlamento, também nesta quinta e após a prisão do vereador, decidiu suspender o salário dele. O Solidariedade, então partido do vereador do Rio, decidiu afastá-lo.

Entenda o caso Henry

O menino Henry Borel Medeiros morreu no dia 8 de março ao dar entrada em um hospital na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Segundo Leniel Borel, pai do garoto, ele e o filho passaram o fim de semana anterior normal. Por volta das 19h do dia 7, o pai o levou de volta para casa, onde morava com a mãe, Monique e Dr. Jairinho.

Durante a madrugada, o casal levou o menino, que já chegou morto, para o Hospital Barra D’Or, zona oeste da cidade. Na delegacia mãe e padrasto alegaram acidente doméstico. Mas o laudo cadavérico atestou morte violenta.

Dezoito testemunhas foram ouvidas e troca de mensagens entre a mãe e a babá revelaram que a mãe sabia das agressões de Jairinho contra o menino desde 12 de fevereiro. Nesta quinta o casal foi preso, por determinação da Justiça, por 30 dias.

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