Disputa fragmentada indica 2º turno na eleição pelo governo da Paraíba
Prefeito da capital lidera, mas cenário indefinido e falta de unidade entre adversários mantêm disputa aberta e sem definição no 1º turno
A disputa pelo governo da Paraíba em 2026 começa a ganhar contornos de uma corrida aberta. O cenário reflete a pulverização de forças políticas e a dificuldade de formação de uma maioria eleitoral diante da presença de múltiplas candidaturas competitivas — o que tende a levar a eleição para o segundo turno.
Pesquisas de intenção de voto realizadas ao longo de 2025 colocam o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), na dianteira, seguido pelo vice-governador, Lucas Ribeiro (PP), e pelo senador Efraim Filho (União Brasil), que logo deve se filiar ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da liderança, nenhum dos nomes atinge níveis próximos à maioria absoluta dos votos válidos, indicando uma disputa que tende a avançar para o segundo turno.
Outro elemento que reforça a indefinição é o alto índice de eleitores indecisos, além de votos brancos e nulos. Em alguns cenários, esse grupo chega a representar cerca de um terço do eleitorado, o que mantém o quadro em aberto e sujeito a mudanças ao longo da campanha. A presença de ao menos três candidaturas competitivas contribui para a divisão dos votos e dificulta a consolidação de uma liderança isolada.
Cenário embaralhado para o governo da Paraíba
- Disputa aberta e fragmentada, sem favorito ao 1º turno: cenário indica forte tendência de segundo turno.
- Cícero Lucena lidera pesquisas, mas sem margem confortável: Lucas Ribeiro e Efraim Filho aparecem competitivos.
- Alto número de indecisos: brancos e nulos (até 1/3 do eleitorado) mantém eleição imprevisível.
- Alianças ainda indefinidas e oposição dividida: surge a dificuldade de consolidação de uma candidatura única.
Levantamento do Instituto Real Time Big Data, divulgado em dezembro de 2025, aponta Cícero com 31% das intenções de voto, seguido por Lucas Ribeiro, com 16%. Efraim Filho tem 13%.
A pesquisa também registra 10% de votos brancos e nulos e 17% de indecisos.
Os índices de rejeição também ajudam a explicar a dinâmica da disputa. Lucas Ribeiro apresenta a menor taxa entre os principais nomes, em torno de 20%, o que pode favorecer seu desempenho em um eventual segundo turno.
Movimentação em torno de três nomes
No campo político, a base governista atua para viabilizar Lucas Ribeiro como candidato da continuidade administrativa. A estratégia envolve a articulação de partidos aliados ao governador João Azevêdo (PSB), como PP, PSB, Republicanos, PDT e PT, apostando nos altos índices de aprovação da atual gestão como ativo eleitoral. O chefe do Executivo estadual deve renunciar ao cargo em breve para concorrer ao Senado.
Já a oposição ainda enfrenta dificuldades para se unificar. Cícero Lucena busca ampliar alianças com siglas de centro e centro-direita e lideranças do interior, dialogando com partidos como PSD e Podemos. Apesar do potencial de capilaridade, o grupo liderado pelo político do MDB ainda não convergiu em torno de um projeto único.
Efraim Filho tenta se posicionar como uma alternativa mais de oposição, já que deve se filiar ao PL. Ainda assim, conta com o apoio do União Brasil, antigo partido dele. No entanto, a falta de unidade entre os adversários dificulta a construção de uma candidatura única já no primeiro turno, o que tende a manter o quadro fragmentado.
No plano municipal, Cícero Lucena se beneficia da avaliação positiva da gestão dele em João Pessoa, mas enfrenta o desafio de ampliar presença no interior do estado, além de lidar com eventuais desgastes decorrentes da saída do cargo para disputar o governo.
A eventual entrada de novos nomes na disputa, ainda que com menor densidade eleitoral, também pode ampliar a dispersão de votos e dificultar a obtenção de maioria absoluta no primeiro turno.
Diante desse cenário, o comportamento do eleitorado indeciso tende a ser decisivo. Historicamente, esses votos se definem nas fases finais da campanha e costumam se distribuir entre diferentes candidaturas, o que reforça a probabilidade de segundo turno.
Com base no quadro atual, a eleição para o governo da Paraíba em 2026 se desenha como uma das mais equilibradas dos últimos anos, marcada por fragmentação política, alianças em construção, avaliações positivas de diferentes gestões e elevado número de indecisos.

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