Eleição 2026

Direita brasileira aposta em delação de Maduro para desgastar Lula

Caciques conservadores acreditam que Trump avançará sobre ligações do regime venezuelano com partidos de esquerda na América do Sul

atualizado

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Ricardo Stuckert/PR
Lula e Maduro - Metrópoles
1 de 1 Lula e Maduro - Metrópoles - Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lideranças da direita brasileira apostam que eventual delação do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, atingirá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros aliados e ex-aliados na América Latina. No momento, trata-se de uma mera esperança, sem base real, que demonstra o desejo de desgastar o petista na tentativa de reeleição após a intervenção dos Estados Unidos em Caracas.

A tese da direita é que uma delação de Maduro revelará possíveis ligações financeiras entre o regime instaurado por Hugo Chávez em 1999 e partidos de esquerda na América do Sul. Conservadores apostam que conseguirão informações sobre operações envolvendo o Brasil, como obras de infraestrutura realizadas na Venezuela.

Além de esperarem uma delação, caciques da direita brasileira avaliam que a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela tira de Lula um dos seus “trunfos” para a eleição de 2026: a aproximação com o presidente norte-americano, Donald Trump. Além de sequestrar o presidente Nicolás Maduro, Washington promete longa estada em Caracas, o que deve prolongar a crise diplomática com governos de esquerda América do Sul.

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Protesto destaca que ofensiva dos Estados Unidos não atinge apenas a Venezuela, mas representa uma ameaça à estabilidade da América Latina
Protesto destaca que ofensiva dos Estados Unidos não atinge apenas a Venezuela, mas representa uma ameaça à estabilidade da América Latina
Donald Trump, presidente dos EUA
Nicolás Maduro após ser capturado pelos EUA
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Imagens da ofensiva realizada em Caracas
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Imagens da ofensiva realizada em Caracas

Jesus Vargas/Getty Images
Protesto destaca que ofensiva dos Estados Unidos não atinge apenas a Venezuela, mas representa uma ameaça à estabilidade da América Latina
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Protesto destaca que ofensiva dos Estados Unidos não atinge apenas a Venezuela, mas representa uma ameaça à estabilidade da América Latina

Reprodução / Esquerda Diário
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Donald Trump, presidente dos EUA
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Donald Trump, presidente dos EUA

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Nicolás Maduro após ser capturado pelos EUA
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Nicolás Maduro após ser capturado pelos EUA

Reprodução/X
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A avaliação é compartilhada pelo entorno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência. Segundo aliados do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Lula não poderá vender na campanha “boa relação” com Trump enquanto o condena pela intervenção militar na Venezuela.

No último sábado (3/1), logo após os primeiros ataques dos EUA, Lula repreendeu a investida do governo Trump. “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou o petista.


EUA x Venezuela

  • Os Estados Unidos começaram a atacar embarcações venezuelanas em setembro de 2025, alegando, sem provas, combate a grupos de narcotráfico estabelecidos na Venezuela;
  • Washington mobilizou uma frota de embarcações, incluindo o maior porta-aviões do mundo, para o mar do Caribe;
  • O presidente da Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional;
  • A escalada continuou e resultou em ataque de larga escala, realizado em paralelo a uma operação militar para captura de Maduro e da primeira-dama venezuelana, Cilia Flores.

De uma maneira ou de outra, o entorno da pré-campanha de Flávio entende que a Venezuela assumirá papel central na eleição. Caciques já recomendaram o levantamento de documentos, vídeos e fotos que mostrem a proximidade de Lula com Hugo Chávez, fundador do regime em vigor, e o sucessor dele.

Maduro e Lula, porém, romperam relações em 2024, após o petista não reconhecer o resultado da última eleição na Venezuela, feita sob forte desconfiança internacional. O presidente venezuelano não apresentou as atas do pleito após a votação, mas o Conselho Eleitoral Nacional afirmou que ele venceu a disputa com 51,21% dos votos.

Trunfo com Trump

O Planalto atrela parte da recuperação de popularidade do petista em 2025 ao estabelecimento de uma relação com Trump. Em julho, os EUA impuseram tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, como repressão ao que considerava ser uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e uma balança comercial “injusta”.

O governo Lula não cedeu, afirmando que se tratava de tentativa de intervenção no processo da trama golpista, pelo qual Bolsonaro foi preso e condenado posteriormente. Um encontro na Assembleia Geral da ONU em setembro, com direito a elogios ao petista, e uma reunião na Malásia, em outubro, porém, mudaram a situação.

Trump e Lula passaram a conversar, levando ao alívio do tarifaço, o que por sua vez inviabilizou a atuação do então deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O filho de Bolsonaro tentou instigar Washington a agir contra o governo petista em nome do pai, mas a inflação norte-americana levou o republicano a deixar o ex-presidente de lado.

A situação deu a Lula duas pautas positivas. A primeira, de um comportamento pragmatista para conduzir negócios em nome da economia brasileira. A segunda, de que Bolsonaro está isolado internacionalmente.

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