Diplomacia: Bolsonaro garante concurso para o Rio Branco neste ano

Presidente participou de cerimônia de formatura do Instituto Rio Branco, no Itamaraty, nesta sexta-feira (03/05/2019)

Marcos Corrêa/PRMarcos Corrêa/PR

atualizado 03/05/2019 14:34

Em cerimônia de formatura do Instituto Rio Branco, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) garantiu a realização de concurso neste ano para quem deseja ingressar na carreira diplomática. Ele adiantou que conversou com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para manter a prova, com o objetivo de levar o país ao patamar de “grandeza e prosperidade”.

No discurso aos novos diplomatas, Bolsonaro disse que é preciso impor os ideais brasileiros e estar acima das ideologias de outros países. “Não permito que nosso país seja definido de fora, com base em interesses e anseios alheios”, afirmou.

O chefe do Executivo recomendou aos recém-embaixadores que levem a voz dos brasileiros em torno de todo o mundo. “Olhem para a realidade e aceitem o melhor conselho que posso dar: escutem nosso povo, aprendam com ele e levem sua voz aos quatro cantos do mundo para que sociedade, e não o Estado, seja a grande protagonista”, completou.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, nenhum presidente valorizou mais o papel do Itamaraty do que o atual. Durante discurso, ele comentou que os ministros do governo se tornaram uma “família” e costumam trocar comentários pelo WhatsApp. Em uma dessas conversas, Bolsonaro disse aos chefes das pastas que, “enquanto não faltar água do mar, não deixaremos de lutar”.

Em resposta, o presidente começou o discurso com a afirmação de que conversou com o comandante da Marinha e, seguramente, “não vai faltar água do mar”. “Isso é sinal que todos juntos vamos lutar a favor do Brasil”, completou.

Venezuela e Argentina
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta sexta-feira (03/05/2019) que o Brasil está “fazendo o que é certo” sobre a crise na Venezuela. O governo de Jair Bolsonaro declarou apoio contrário ao regime do presidente Nicolás Maduro, em favor do líder oposicionista Juan Guaidó.

Para o ministro, o mundo tem virado os holofotes ao país vizinho para mostrar a difícil situação do lugar e a necessidade de restaurar a democracia. “O Brasil participou e participa dos esforços desde o primeiro momento”, garantiu. Ele contou que ouviu de um venezuelano que “sente na carne os efeitos da tirania” e a esperança da América do Sul é Jair Bolsonaro.

Bolsonaro trouxe à tona outros temas e alertou preocupação em relação ao governo da Argentina. Segundo ele, é necessário que todos os olhares da América do Sul estejam voltados ao país. “Não queremos uma outra Venezuela mais ao sul do nosso continente”, reforçou.

Diplomacia brasileira
Em discurso, embaixadores e alunos recém-graduados se posicionaram contra o regime nazista e protestaram a favor da liberdade de expressão, independentemente da escolha política ou religiosa.

“Racismo, extremismo e discriminação. Essa lógica pode ser útil a determinados grupos com privilégios, mas prejudica outros”, disse a paraninfa da turma, embaixadora Eugênia Barthelmess, atual diretora do Departamento de América do Sul. “A discriminação é um prêmio que se concede ao comodismo”, completou.

Para a embaixadora, a carreira de diplomata se assimila à de militar, devido aos sacrifícios familiares e pessoais que devem ser feitos durante a vida. Porém, ela traz “oportunidades” e “recompensas” necessárias ao país. Bolsonaro disse que, quando os diplomatas falham, as Forças Armadas entram. “E torcemos muito para não entrarmos em campo”, completou.

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