
Desgaste com Michelle Bolsonaro pressiona Flávio a definir vice mulher
Atrito familiar entre Flávio Bolsonaro e Michelle acentua desafio para pré-candidato conquistar eleitorado feminino e evangélico

O desgaste provocado pelo vídeo publicado por Michelle Bolsonaro (PL), no qual a ex-primeira-dama afirma ter sido “maltratada” e “desrespeitada” pelo enteado e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), deve acelerar a definição de uma mulher como candidata a vice-presidência nas próximas semanas.
A gravação da ex-primeira-dama abriu uma nova crise familiar e ampliou as tensões na pré-campanha de Flávio, que já vinha fragilizada após a repercussão dos áudios envolvendo Daniel Vorcaro.
No vídeo, Michelle, presidente do PL Mulher, afirmou ter recebido uma “punhalada” do enteado, que teria dito que ela “tinha chegado ontem” na política e que não deveria opinar nos rumos do partido.
“Ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para dizer o que me disse, teria sido melhor que não tivesse ligado. Foi muito ríspido, me desrespeitou e me tratou mal ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, respondi que tudo bem”, afirmou Michelle.
Manifestação de Flávio Bolsonaro
Inicialmente, Flávio Bolsonaro minimizou as declarações da madrasta e afirmou que “nada nem ninguém me aborrece” no dia de jogo da Seleção Brasileira. Em seguida, adotou tom mais conciliador, pediu desculpas a Michelle e declarou que “nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida”.
As declarações de Michelle repercutiram diretamente em dois segmentos do eleitorado considerados estratégicos para a pré-campanha de Flávio: mulheres e evangélicos. A presidente do PL Mulher, que chegou a ser cotada para disputar o Planalto, afirmou no vídeo que a postura do enteado teria deixado “claro” que ele não buscava seu apoio.
Sem o apoio de Michelle nos primeiros meses da pré-campanha, Flávio articula indicar uma mulher como vice para tentar vencer a sua resistência no eleitorado feminino e cessar os ruídos com a madrasta. Agora, com a disputa tornada pública, a campanha deverá correr com o anuncio.
Aliados ouvidos pelo Metrópoles, sob reserva, afirmam que o conflito familiar aumentou a pressão para a definição da chapa. A expectativa é de que a escolha da vice ocorra em até três semanas.
Nomes cotados para a vice de Flávio Bolsonaro
Uma ala mais ideológica do bolsonarismo, amparada pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), tem defendido a indicação da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC). O perfil mais ideológico da parlamentar, entretanto, enfrenta resistência entre lideranças do Centrão, que defendem a busca por um nome capaz de ampliar o diálogo com setores mais moderados do eleitorado.
Flávio tem concordado e falado publicamente sobre a possibilidade de escolher uma mulher como vice. Nessa quinta-feira (25/6), ele mencionou o nome da deputada federal Bia Kicis (PL-SP).
Rejeição de Flávio cresce, segundo a Nexus/BTG
- Levantamento da Nexus/BTG aponta aumento da rejeição a Flávio Bolsonaro, que passou de 50% para 52% em um mês.
- No mesmo período, a rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve-se em 47%.
- Desde a primeira rodada da pesquisa, Flávio acumula alta de quatro pontos percentuais na taxa de rejeição.
- A resistência é mais acentuada entre mulheres, em que o senador registra 56% de rejeição, ante 48% entre homens. No caso de Lula, os índices são de 41% entre mulheres e 53% entre homens.
*A Nexus ouviu 2.017 eleitores entre 12 e 14 de junho de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Outro nome citado para compor a chapa é o da ex-ministra do governo Bolsonaro e atual líder do PP no Senado, Tereza Cristina (PP-MS). Avaliada como um perfil pragmático e com forte ligação ao agronegócio, ela é vista como uma opção capaz de ampliar o alcance político da candidatura. A senadora mantém proximidade com Michelle Bolsonaro, mas tem sinalizado que não embarcaria na chapa de Flávio.
Em busca de pacificação, Flávio Bolsonaro recorreu à senadora e aliada de Michelle, Damares Alves (Republicanos-DF), para organizar um encontro com lideranças femininas, previsto para a próxima semana. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou ter convidado Michelle “de coração aberto”, mas disse que não foi atendido pela madrasta.
A crise entre Flávio e Michelle ganhou força após a ex-primeira-dama criticar o apoio do PL do Ceará à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual. O ex-candidato à Presidência é crítico histórico do bolsonarismo, e seu antigo partido, o PDT, foi responsável pela ação que levou à inelegibilidade do ex-presidente. À época, Flávio afirmou que Michelle agiu de forma “autoritária”.

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