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A Polícia Federal (PF), o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quinta-feira (8/11), mais uma fase da Lava Jato no Rio de Janeiro. Desta vez, os investigadores miram deputados da Assembleia Legislativa do Estado (Alerj).

Ao todo, são cumpridos 22 mandados de prisão expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Dez deles contra deputados do Rio. A Operação Furna da Onça é um desdobramento da Cadeia Velha e investiga esquema de compra de apoio parlamentar na Alerj.

De acordo com a investigações, todos os parlamentares investigados faziam uso da assembléia para atender interesses da organização criminosa do ex-governador do estado fluminense Sérgio Cabral (MDB). Em troca, os políticos receberam propina mensal – “mensalinho” – durante o segundo mandato de Cabral, entre 2011 e 2014.

Entre os deputados, estão André Correa (DEM), Edson Albertassi (MDB), Chiquinho da Mangueira (PSC), Coronel Jairo (MDB), Jorge Picciani (MDB), Luiz Martins (PDT), Marcelo Simão (PP), Marcos Abrahão (Avante), Marcus Vinícius “Neskau” (PTB) e Paulo Melo (MDB).

De acordo com o MPF, a propina resultava do sobrepreço de contratos estaduais e federais. Além de Cabral, tinham função de comando na organização investigada os ex-presidentes da Alerj Jorge Picciani e Paulo Melo, presos antes na Operação Cadeia Velha e com novas ordens de prisão.

O deputado estadual Chiquinho da Mangueira foi preso por volta das 7h25; André Corrêa, seu colega de Assembleia Legislativa e ex-secretário de Meio Ambiente, às 8h10.

O alvo é o grupo político da base do MDB, que comanda o estado há mais de 10 anos. Policiais federais cumprem mandado de busca e apreensão no Palácio Guanabara, sede do Executivo fluminense, e no anexo da Alerj.

Operação Cadeia Velha
A Operação Cadeia Velha foi deflagrada em novembro de 2017. Na ocasião, foram parar atrás das grades os deputados Jorge Picciani, Paulo Mello e Edson Albertassi.

A operação investigou esquema de corrupção no qual os deputados usavam da sua influência para aprovar projetos na Alerj a fim de favorecer empresas de ônibus e empreiteiras. Picciani cumpre prisão domiciliar devido ao seu estado de saúde. Já Paulo Mello e Albertassi estão presos em Bangu, um dos principais complexos penitenciários do Rio de Janeiro.

Desta vez, a operação foi batizada de Furna da Onça. Os alvos são acusados não só de corrupção mas lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual.

Estão nas ruas mais de 200 policias federais, 35 membros do MPF e 10 auditores da Receita para cumprir 19 mandados de prisão temporária, três de preventiva e 47 de busca e apreensão.