Dependente da Rússia, Bolsonaro anuncia programa local de fertilizante

Segundo Tereza Cristina, ministra da Agricultura, projeto vem sendo estudado desde dezembro de 2019 e deve ser lançado ainda neste mês

atualizado 04/03/2022 7:39

Em evento do Inmetro, o presidente Bolsonaro exibe um fuzil em miniatura que ganhou - MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro (PL) anunciou nesta quinta-feira (3/3) que o governo federal lançará, ainda neste mês, um programa nacional para estimular a produção brasileira de fertilizantes. O Brasil depende do fornecimento da Rússia para disponibilizar o material à agricultura nacional e a guerra entre russos e ucranianos impede a importação do produto. O presidente fez a declaração durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, ao lado da ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Segundo Tereza Cristina, o programa vem sendo estudado desde dezembro de 2019 e conta com a participação de ao menos nove ministérios do governo, como os de Minas e Energia, Economia e Agricultura.

”Vendo essa nossa dependência [da Rússia] e com o agronegócio brasileiro cada vez maior e mais forte, é inadmissível a gente não ter um programa nacional para estimular a produção própria de fertilizantes ou parte dessa produção”, afirmou a ministra. 

Fertilizantes químicos são usados pelos agricultores para aumentar a produtividade do solo. O receio da escassez é motivado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que restringiu os fluxos comerciais dos dois países. A Rússia fornece 23% dos fertilizantes importados pelo Brasil.

De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil é o quarto consumidor mundial de fertilizantes e importa cerca de 80% do volume utilizado na produção agrícola. Entre 2020 e 2021, a importação brasileira de fertilizantes da Rússia cresceu 22%.

Preços de guerra

A ministra da Agricultura disse que o conflito entre Rússia e Ucrânia deve alterar o preço dos alimentos nos níveis nacional e mundial.

“Tem impacto em tudo isso daí. E nós temos como resolver esses problemas. Nós podemos até ser exportadores [de fertilizantes]. […] Enquanto a guerra estiver acontecendo, está totalmente descartado a gente receber fertilizantes daqueles dois países”, prosseguiu. 

Sobre o assunto, Bolsonaro disse que “um país que é dependente de um outro, pode, em um momento como esse, sofrer várias consequências”.

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