Bolsonaro evita criticar Rússia e mostra preocupação com fertilizantes

O presidente brasileiro está desde sábado (26/2) passando o Carnaval no Guarujá, litoral de São Paulo

atualizado 27/02/2022 21:57

Alan Santos/Planalto

O presidente Jair Bolsonaro (PL) comentou, neste domingo (27/2), a conversa que teve com o presidente russo, Vladimir Putin, durante visita a Moscou há duas semanas. Bolsonaro evitou fazer críticas a Putin e mostrou preocupação com os fertilizantes importados da Rússia.

Temos negócios em especial com a Rússia, o Brasil depende de fertilizante. Estive falando há pouco com o presidente Putin por mais de 2 horas de conversa, tratamos de muita coisa, a questão dos fertilizantes foi o mais importante. Tratamento do nosso comércio. Lógico que ele falou da Ucrânia, mas eu me reservo o direito de não entrar em detalhes da forma como vocês gostariam”, afirmou Bolsonaro.

Ao dizer ter conversado com Putin “há pouco”, Bolsonaro não especificou o momento do diálogo. A reportagem do Metrópoles questionou o governo federal sobre quando a conversa teria ocorrido. Em nota, o Itamaraty informou que a fala do presidente referia-se à reunião com Putin realizada em Moscou. Ou seja, diferentemente do que informava esta reportagem, Bolsonaro não ligou para Putin neste domingo.

“O presidente Bolsonaro se referia às duas horas de conversa ao vivo na visita a Moscou. Não houve telefone no domingo”, disse a assessoria de imprensa do Gabinete do Ministério de Relações Exteriores.

O mandatário brasileiro está desde sábado passando o Carnaval no Guarujá, litoral de São Paulo. Após a entrevista, o presidente usou suas redes sociais para esclarecer que se referia ao encontro do dia 15 de fevereiro.

Bolsonaro rechaçou adotar qualquer sanção contra a Rússia e destacou que manterá neutralidade quanto ao conflito no Leste Europeu a fim de evitar problemas para o Brasil.

Quando se fala em sanções econômicas, cada país coloca na mesa o que topa desde que isso [área ou item de interesse] fique de fora. Alemanha não aceita falar em sanções econômicas do gás, como muitos países da Europa. Os Estados Unidos também tem áreas que não aceita discutir sanções”, declarou Bolsonaro, acrescentando que, para o Brasil, “a questão dos fertilizante é sagrada”.

“Uma decisão minha pode trazer sérios prejuízos a agricultura do Brasil. Como já disse, a cada cinco pessoas no mundo, uma é alimentada pelo Brasil”, afirmou.

A Rússia é um dos países que mais exportam adubos e fertilizantes para o Brasil. Em janeiro, 30% do insumo que chegou ao território nacional veio dos russos, segundo o Ministério da Economia.

O mandatário brasileiro também criticou uma jornalista que chamou a guerra da Ucrânia de massacre e defendeu o direito de Putin de ocupar as regiões separatistas do leste ucraniano.

Na manhã deste domingo, o mandatário publicou um vídeo nas redes sociais no qual ele cumprimenta apoiadores e causa aglomeração. À tarde, Bolsonaro publicou, no Facebook, que 37 brasileiros e dois uruguaios, que pegaram um trem em Kiev, capital da Ucrânia, chegaram à Embaixada brasileira na Romênia.

Guerra da Ucrânia

A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Na prática, Moscou vê essa possível adesão como uma ameaça à sua segurança.

Diante disso, tropas russas, orientada pelo presidente Vladimir Putin, iniciou, na última quinta-feira (24/2), uma ampla operação militar para invadir a Ucrânia. Em pronunciamento, ele fez ameaças e disse que quem tentar interferir no conflito sofrerá consequências nunca vistas na história.

Hoje completa quatro dias de conflito. Ao menos 198 pessoas morreram nos confrontos, segundo o governo ucraniano. Outras 1.115 ficaram feridas. O governo ucraniano afirma que 100 mil soldados russos estão no país.

Russos sitiaram Kiev e tentam tomar o poder. Hospitais, orfanatos, prédios residenciais, além de escolas e creches, já foram alvos de bombardeios na Ucrânia. República Tcheca, Polônia, França, Estados Unidos, Holanda, Alemanha, Portugal e Bélgica anunciaram o envio de ajuda estrutural de armas e dinheiro para a Ucrânia, que resiste.

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