
Dark Horse: entorno de Flávio atenua operação e comemora avanço em pesquisa
Aliados avaliam que ação teve pouco impacto e destacam alta de Flávio Bolsonaro em pesquisas. Senador deve manter discurso sobre Dark Horse

O entorno do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, mantém o otimismo com a disputa eleitoral apesar da operação da Polícia Federal que atingiu nessa quinta-feira (10/9) pessoas ligadas à produção de Dark Horse, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre aliados, a avaliação predominante é de que, até agora, o impacto da ação sobre a candidatura é pequeno.
As últimas pesquisas alimentam esse otimismo. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nessa quinta, Flávio avançou tanto no primeiro quanto no segundo turno e reduziu a distância para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No primeiro turno, o candidato do PL passou de 34% para 37,4%, enquanto Lula permaneceu com 43%. A diferença entre os dois caiu de 9 para 5,6 pontos percentuais. Em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro subiu de 42,6% para 46,4%, enquanto o presidente oscilou de 47,1% para 46,2%. Os dois estão empatados dentro da margem de erro, de 1 ponto percentual.
A Atlas se soma a levantamentos que já haviam elevado o ânimo na campanha. Na Quaest divulgada no início da semana, o senador e Lula apareceram numericamente empatados, com 41% cada, em uma eventual disputa direta.
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Ver todasO ambiente interno também mudou, na avaliação de dirigentes do PL. Parlamentares e aliados que antes duvidavam das chances eleitorais de Flávio agora admitem nos bastidores a possibilidade de vitória.
Também foi bem recebida pela campanha uma declaração do candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury. Nessa quinta, ele descartou apoiar Lula em um eventual segundo turno e admitiu ficar com Flávio Bolsonaro, embora tenha imposto condições, como esclarecimentos sobre o caso Dark Horse. Cury cresceu nas últimas semanas e ocupa a terceira colocação nas pesquisas.
Filme ainda é preocupação
Dark Horse, no entanto, continua sendo uma fonte de preocupação para a campanha. A Operação Make Up atingiu pessoas envolvidas com a produção e voltou a exigir uma resposta do candidato sobre o filme.
A PF apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas a pessoas envolvidas na produção da obra. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão.
Entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do longa, e a empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. O candidato do PL não foi alvo da operação.
Segundo aliados, Flávio não pretende se envolver na defesa de Frias nem da Go Up. A tendência é que ele continue falando apenas sobre sua participação na busca de financiamento para Dark Horse e sobre a origem dos recursos do longa.
Dois integrantes da candidatura dizem que Flávio Bolsonaro deve manter a versão que já vem apresentando: a relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, se restringiu à busca de recursos para o filme, não houve negociação de contrapartidas e a produção não recebeu dinheiro público.
Eventuais suspeitas sobre o uso das emendas indicadas por Mario Frias, na avaliação desses aliados, terão de ser respondidas pelo próprio deputado.
O candidato seguiu essa linha nessa quinta, durante agenda em Boa Vista (RR). Flávio Bolsonaro não mencionou Frias ao comentar a operação e voltou a negar o uso de recursos públicos no filme.
“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem um centavo de dinheiro público, eu já cansei de falar”, disse.
O senador também acusou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tentar interferir na eleição e afirmou, sem apresentar provas, que a operação teria motivação política. “O que tem, claramente, é uma tentativa de interferência política, mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições”, declarou.
Questionado sobre o impacto da ação da PF em sua candidatura, Flávio respondeu: “Zero”. Em seguida, acrescentou: “Zero, zero, zero. A gente não enxerga eles nem mais no retrovisor”.
Dentro da campanha de Flávio Bolsonaro, no entanto, permanece a preocupação com novos desdobramentos, vazamentos ou operações envolvendo Dark Horse antes do primeiro turno. A leitura neste momento é de que a ação dessa quinta, isoladamente, não produziu o desgaste que aliados temiam.
As investigações sobre o filme correm em duas frentes no STF. A apuração conduzida por Dino trata do possível uso irregular de recursos de emendas parlamentares.
Em outro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, a PF investiga o dinheiro enviado por Daniel Vorcaro à produção depois de um pedido do candidato do PL.
As linhas de investigação da PF
- Investigadores apuram os repasses feitos por Daniel Vorcaro para financiar o filme a pedido de Flávio Bolsonaro e desvendar se houve, por exemplo, alguma contrapartida pelo dinheiro — o que o senador nega.
- Também está na mira da Polícia Federal a possível utilização do dinheiro para financiar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
- Outra investigação mira emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme. A PF apura se esses recursos públicos foram usados na obra.
Nesta semana, Mendonça homologou a colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. Ele afirmou à Procuradoria-Geral da República que fez, a pedido de Vorcaro, sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões para o fundo Havengate, usado para custear despesas relacionadas ao filme.











