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Eleições 2026Brasil

Dark Horse: entorno de Flávio atenua operação e comemora avanço em pesquisa

Aliados avaliam que ação teve pouco impacto e destacam alta de Flávio Bolsonaro em pesquisas. Senador deve manter discurso sobre Dark Horse

11/09/2026 04:30, atualizado 11/09/2026 06:56
Dark Horse: entorno de Flávio atenua operação e comemora avanço em pesquisa
Dark Horse: entorno de Flávio atenua operação e comemora avanço em pesquisa

O entorno do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, mantém o otimismo com a disputa eleitoral apesar da operação da Polícia Federal (PF) que atingiu, na quinta-feira (10/9), pessoas ligadas à produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre aliados, a avaliação predominante é de que, até agora, o impacto da ação sobre a candidatura é pequeno.

As últimas pesquisas alimentam esse otimismo. No levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado na quinta, Flávio avançou tanto no primeiro quanto no segundo turno e reduziu a distância do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No primeiro turno, o candidato do PL passou de 34% para 37,4%, enquanto Lula permaneceu com 43%. A diferença entre os dois caiu de 9 para 5,6 pontos percentuais. Em eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro subiu de 42,6% para 46,4%, enquanto o presidente oscilou de 47,1% para 46,2%. Os dois estão empatados dentro da margem de erro, de 1 ponto percentual.

A Atlas se soma a levantamentos que já haviam elevado o ânimo na campanha. Na Quaest divulgada no início da semana, Flávio e Lula apareceram numericamente empatados, com 41% cada, em eventual disputa direta.

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Na avaliação de dirigentes do PL, o ambiente interno também mudou. Parlamentares e aliados que antes duvidavam das chances eleitorais de Flávio agora admitem nos bastidores a possibilidade de vitória.

Também foi bem recebida pela campanha declaração do candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury. Na quinta, ele descartou apoiar Lula em eventual segundo turno e admitiu ficar com Flávio Bolsonaro, embora tenha imposto condições, como esclarecimentos sobre o caso Dark Horse. Cury cresceu nas últimas semanas e ocupa a terceira colocação nas pesquisas.

Filme ainda é preocupação

Dark Horse, no entanto, continua sendo fonte de preocupação para a campanha. A Operação Make Up atingiu pessoas envolvidas com a produção e voltou a exigir resposta de Flávio Bolsonaro sobre o filme.

A PF apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas a pessoas envolvidas na produção da obra. Foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão.

Entre os alvos, estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo do longa, e a empresária Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. O candidato do PL não foi alvo da operação.

Segundo aliados, Flávio não pretende se envolver na defesa de Frias nem da Go Up. A tendência é que ele continue falando apenas sobre sua participação na busca de financiamento para Dark Horse e sobre a origem dos recursos do longa.

Dois integrantes da candidatura dizem que Flávio Bolsonaro deve manter a versão que já vem apresentando: a relação com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, se restringiu à busca de recursos para o filme, não houve negociação de contrapartidas e a produção não recebeu dinheiro público.

Eventuais suspeitas sobre o uso das emendas indicadas por Mario Frias, na avaliação desses aliados, terão de ser respondidas pelo próprio deputado.

O candidato seguiu essa linha na quinta-feira, durante agenda em Boa Vista (RR). Flávio Bolsonaro não mencionou Frias ao comentar a operação e voltou a negar o uso de recursos públicos no filme.

“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme. Não tem um centavo de dinheiro público, eu já cansei de falar”, frisou.

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Flávio Bolsonaro em visita ao Mercadão de São Miguel, na zona leste da capital paulista
Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Charles Vieira/Divulgação
Flávio Bolsonaro em visita ao Mercadão de São Miguel, na zona leste da capital paulista
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Flávio Bolsonaro em visita ao Mercadão de São Miguel, na zona leste da capital paulista

Rebeca Ligabue/Metrópoles
Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

Go Up Entertainment/Reprodução
Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro
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Cenas do teaser de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro

Go Up Entertainment/Reprodução

O senador também acusou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de tentar interferir na eleição e afirmou, sem apresentar provas, que a operação teria motivação política. “O que tem, claramente, é uma tentativa de interferência política, mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino, sobre as eleições”, declarou.

Questionado sobre o impacto da ação da PF em sua candidatura, Flávio respondeu: “Zero”. Em seguida, acrescentou: “Zero, zero, zero. A gente não enxerga eles nem mais no retrovisor”.

Dentro da campanha de Flávio Bolsonaro, no entanto, permanece a preocupação com novos desdobramentos, vazamentos ou operações envolvendo Dark Horse antes do primeiro turno. A leitura neste momento é de que a ação de quinta-feira, isoladamente, não produziu o desgaste que aliados temiam.

As investigações sobre o filme correm em duas frentes no STF. A apuração conduzida por Dino trata do possível uso irregular de recursos de emendas parlamentares.

Em outro inquérito, relatado pelo ministro André Mendonça, a PF investiga o dinheiro enviado por Daniel Vorcaro à produção depois de um pedido de Flávio Bolsonaro.


As linhas de investigação da PF

  • Investigadores apuram os repasses feitos por Daniel Vorcaro para financiar o filme a pedido de Flávio Bolsonaro e desvendar se houve, por exemplo, alguma contrapartida pelo dinheiro — o que o senador nega.
  • Também está na mira da Polícia Federal a possível utilização do dinheiro para financiar a estada de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
  • Outra investigação mira emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme. A PF apura se esses recursos públicos foram usados na obra.

Nesta semana, Mendonça homologou a colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. O empresário afirmou à PGR que fez, a pedido de Vorcaro, sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões para o fundo Havengate, usado para custear despesas relacionadas ao filme.