Cúpula bolsonarista fala em Jair e Eduardo como ministros de Flávio
Empolgada com resultados de pesquisas eleitorais, família Bolsonaro começa a especular sobre ministérios em eventual governo de Flávio
atualizado
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Na semana em que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência completou um mês, a cúpula bolsonarista passou a falar publicamente da possibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos, serem ministros em uma eventual nova gestão da família.
As declarações foram feitas pelo próprio clã em transmissões depois de manifestarem contentamento com o resultado das pesquisas eleitorais que, apesar de apontarem um favoritismo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mostraram Flávio competitivo no pleito. A pré-candidatura do senador completou um mês na segunda-feira (5/1).
No mesmo dia, Eduardo disse que o pai poderia ser ministro da Casa Civil ou secretário de governo em um eventual governo do irmão. “Quem sabe um futuro presidente Flávio Bolsonaro tendo ao seu lado o ministro Jair Bolsonaro. Por que não? Ele não teria qualificação para ser um secretário de governo ou ministro da Casa Civil?”, disse o ex-deputado ao canal no YouTube da Revista Timeline.
Na terça-feira (6/1), foi a vez de o próprio Flávio indicar que um membro da família é “ministrável”. O senador disse que Eduardo poderia ser ministro das Relações Exteriores. “Temos um craque em casa, nessa parte de relações internacionais. É um privilégio poder contar com o próprio irmão, a lealdade é 100%, é sangue do meu sangue”, disse Flávio em uma transmissão quando questionado sobre o Itamaraty. A entrevista era conduzida por Paulo Figueiredo, que está com Eduardo nos Estados Unidos, e participou de conversas com o governo norte-americano na busca de medidas contra o Brasil.
Impedimentos judiciais
Apesar das declarações, existem barreiras para que membros da família Bolsonaro ocupem ministérios ou outros cargos do Executivo em um governo de Flávio. Bolsonaro está preso na Superintendencia da Polícia Federal (PF) no Distrito Federal, condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista, e está com os direitos políticos suspensos.
A escolha por Flávio candidato foi feita por Bolsonaro depois de ser preso, em 20 de novembro, após tentar violar sua tornozeleira eletrônica.
No caso de Eduardo, a situação também não é favorável, já que ele não tem mais mandato parlamentar, está nos Estados Unidos, e é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), que incluem a tentativa de obstrução de justiça.
A aposta familiar para deixar ambos com o caminho livre para ocupar cargos de destaque vem da possibilidade de um governo da família conceder um indulto ao ex-presidente, por exemplo, e assim o deixar livre de condenações. O perdão presidencial, no entanto, poderia ser questionado judicialmente.

